Arquivo mensais:setembro 2014

A inquietude criativa de David Byrne

A inquietude criativa de David Byrne

A música, as cidades e a modernidade na visão do músico escocês que, vinte e três anos
após o fim do Talking Heads, não impõe barreiras para a criação artística
Amanda Massuela
Byrne1

David Byrne não para. Aos sessenta e dois anos, o ex-frontman da banda nova-iorquina Talking Heads acumula projetos que vão da música à literatura, passam pelo cinema e se expandem para quantas áreas do conhecimento lhe for permitido. Nas últimas décadas, a partir do final dos anos 1980, Byrne recebeu um Oscar pela trilha sonora de O último imperador, de Bernardo Bertolucci; dirigiu um documentário sobre a influência do Candomblé nas artes brasileiras, fundou uma gravadora, lançou nove livros – o mais recente, Como funciona a música (Manole, 2014) foi lançado em maio no Brasil – e se tornou uma voz mundialmente reconhecida em defesa do uso da bicicleta e de formas mais sustentáveis de vida nas cidades ao redor do mundo. A lista se estende e reflete o vigor criativo de um artista que não descarta nenhum tipo de possibilidade. A pergunta que fica, diante de tamanha vitalidade, é: o que David Byrne não poderia fazer?

Aparentemente, o que não está entre os planos do músico escocês é louvar a internet como uma ferramenta salvadora da modernidade. Ao menos, não no que diz respeito aos interesses de quem vive de arte. Byrne deixou clara a sua opinião ao publicar um artigo no jornal inglês The Guardian, em outubro de 2013, afirmando que “a internet irá sugar todo o conteúdo criativo do mundo”. Sua crítica se direcionava especialmente aos serviços de streaming de música, plataformas que permitem ao usuário acessar um catálogo de milhares de álbuns mediante uma pequena quantia mensal. Segundo ele, esse tipo de serviço gera lucro para as gravadoras e conteúdo livre para os fãs, mas, para os próprios músicos, não provoca nada além do “desastre”. “A internet afetou a música antes de afetar muitas outras áreas”, diz Byrne à reportagem da CULT, alertando que, em breve, todas as áreas criativas serão impactadas por ela. Talvez de uma maneira não exatamente positiva.

Numa época anterior à internet, como faz questão de frisar, ele entrou em contato com a música brasileira ao ouvir o disco Estudando o samba (1976), de Tom Zé. “Eu fazia parte de uma geração inesperada para se descobrir a música brasileira. Eu era classificado como um punk rocker. Quem iria imaginar que um roqueiro se apaixonaria por ela?”, questiona. Pela Luaka Bop, selo que idealizou em 1989, Byrne introduziu a música brasileira na América do Norte com a coletânea Brazil Classics 1: Beleza Tropical – o primeiro lançamento da Luaka. “Hoje, uma nova geração no norte descobriu a Tropicália e eu suspeito que eles também comecem a ouvir artistas mais novos”, prevê o artista, que há pouco escreveu uma música em parceria com a cantora brasileira Tiê: “Ela é parte dessa nova geração de artistas brasileiros que são bastante internacionais”.

Em entrevista à CULT, David Byrne fala sobre os processos de criação artística, sua história com a música brasileira e as relações conflituosas entre arte e internet.

CULT: No livro Como funciona a música, lançado recentemente no Brasil, fica claro que a sua relação com a música transcende esta arte e se estende para a arquitetura, biologia, filosofia e muitas outras áreas. Há semelhanças entre os processos criativos nesses diferentes campos do conhecimento?

DAVID BYRNE: Bom, eu não sou arquiteto nem biólogo, mas, pelo que ouvi e li, o processo criativo é muito parecido entre as disciplinas. Você estabelece uma tarefa para si mesmo (ou recebe uma bolsa para uma pesquisa científica) com algumas restrições e parâmetros, e então você tenta resolver a charada. Definitivamente, não é um processo que necessite de espera por inspiração. Alguém disse que você já deve estar em ação quando a inspiração chega – você precisa ter um lápis na mão, ou uma guitarra preparada. E, se não estiver ativo, o pássaro da inspiração pode até aparecer, mas você irá esquecer o que fazer com ele. Mesmo que a inspiração não venha, acredito que seja importante continuar trabalhando – alguns dos resultados serão ruins, mas sempre se pode jogar estes fora, e, quando boas coisas aparecerem, você está pronto para isso.

Você disse algumas vezes que “nós não fazemos música, a música nos faz”. Como esta percepção afeta seu processo criativo numa composição?

O que quis dizer foi que, a partir do momento em que se começa a fazer música, as emoções se esvaem para fora de nós – a música simplesmente não descreve as emoções, nós as vivemos (ou revivemos). Claro, o compositor passou por uma emoção que se inseriu no trabalho, mas, para que este seja bem sucedido, ele deve reconstituir com sucesso estas emoções em quem o escuta. É a música que faz isso, são vários elementos que se alinham, e não o compositor. Sim, o compositor escreveu a música, mas ter um sentimento, como raiva ou tristeza, no momento em que se está escrevendo ou compondo não é o bastante. Nas ruas, as pessoas têm raiva, tristeza – e assistir a uma briga, por exemplo, não é algo que evoque estes mesmos sentimentos no observador. Quando se observa algo a distância – como observadores, vemos alguém passar por uma emoção –, não se sente isso, de fato. Mas, com a música, o sentimento é recriado em nós por meio de nossas próprias experiências.

Você tem a Síndrome de Asperger, uma forma de autismo que tem sido considerada a “doença dos gênios”. Ao mesmo tempo, você afirma que a música não é um mito romântico reservada a um gênio solitário. Esse rótulo te incomoda?

Eu reconheci alguns dos sintomas da Síndrome de Asperger em mim quando li sobre ela alguns anos atrás, mas a maioria deles desapareceu com o tempo, como acontece quando a síndrome é suave. Acho que escrever e me apresentar (especialmente me apresentar) foi uma espécie de terapia, também. Oliver Sacks [biólogo, neurologista e escritor anglo-americano] e outros notaram que a música é uma espécie de terapia que beira a magia, pois toca muitas partes do cérebro. Mas a visão de cultura do gênio solitário relega a produção de música e todo o resto a “experts” que são “iluminados”. Nessa visão, um número pequeno de pessoas produz cultura e ciência, enquanto o resto de nós está relegado ao posto de meros consumidores. É uma segmentação muito capitalista da cultura. Dessa forma, a cultura e a criação são tiradas da maioria das pessoas, que podem experimentar a cultura, mas são desencorajadas a participar dela, o que eu acho um tanto triste. Todos têm alguma criatividade. Talvez nem todos possam escrever canções, mas há um milhão de maneiras pelas quais as pessoas podem se expressar, elas não precisam deixar tudo nas mãos dos “profissionais”. Eu não me vejo como um daqueles gênios, mas sim como alguém que trabalha duro e que aprendeu algumas habilidades com o passar do tempo. Isso me faz profissional num certo sentido, mas não é apenas um dom bizarro que simplesmente me deram. Eu, de fato, acredito que às vezes pessoas criativas podem estar no lugar certo na hora certa… Ou apenas terem sorte… Ou elas apenas seguem tentando e estão lá quando a inspiração chega. E às vezes as pessoas têm insights ou criam coisas que parecem surgir completamente do nada – mas eu suspeito que não, pois nada cai do céu. Há muitos fatores externos envolvidos. Parte do que eu queria escrever em Como funciona a música era de que forma os muitos contextos financeiros, acústicos, sociais e tecnológicos moldam a música. Ela não surge do nada.

Você tem uma relação longínqua com o Brasil. Em julho, São Paulo aprovou um novo Plano Diretor, uma série de leis que devem guiar o desenvolvimento da cidade pelos próximos dezesseis anos. Elas estabelecem, dentre outros pontos, a criação de uma ampla ciclovia e fundos para a construção de parques. Enquanto cicloativista envolvido com a causa da mobilidade urbana, qual é a importância de iniciativas como essa, que vislumbram uma cidade feita para pessoas, e não para carros ou imobiliárias?

A razão pelas quais essas coisas importam é porque elas contribuem para uma vida mais agradável. Ao menos que você seja feliz adiando a maior parte do seu divertimento para a outra vida (e ao menos de que você esteja muito certo do lugar para onde vai!), então talvez seja uma boa ideia dar alguma prioridade à diversão enquanto você está aqui na Terra. Talvez os paulistanos amem ficar presos no trânsito e passar horas para ir de um lugar para o outro, mas eu duvido. Estou muito curioso para ver como as propostas de mudança podem funcionar. Eu já andei de bicicleta por São Paulo e, tirando alguns bairros que eram muito bonitos, não é nada fácil. Mas coisas surpreendentes podem acontecer. Pessoas e lugares podem mudar. Às vezes é difícil imaginar um lugar se tornando diferente, mas pode acontecer. Curitiba foi uma inspiração para cidades em todo o mundo, assim como Bogotá e algumas outras. E as mudanças nem sempre configuram gastos altíssimos. Enrique Peñalosa [urbanista e ex-prefeito de Bogotá, na Colômbia] descobriu que adicionar ciclovias e faixas de ônibus de alta velocidade ajudam a cidade imensamente, além de terem sido medidas muito mais baratas e menos danosas que a rodovia proposta anteriormente. Então talvez até São Paulo possa dar alguns passos para se tornar um lugar mais agradável para se viver.

Que tipo de efeitos essas transformações urbanas podem causar, não apenas na produção musical de uma cidade, mas em sua concepção de arte?

Bem, essa manhã eu fui de bicicleta até o médico (apenas um check-up, estou ótimo) e, no caminho para casa, passei por um museu de design e me lembrei que havia uma mostra que queria ver. Então, parei alguns minutos e dei uma olhada. Se eu estivesse num carro eu provavelmente não teria feito isso – estacionar é impossível em Nova York. Então, mais próximo de casa, eu vi um vendedor de tacos de peixe, então parei a minha bicicleta e comi alguns. Novamente, se eu estivesse num carro eu jamais faria isso. Claro, São Paulo é uma cidade bastante ampla, mas para viagens locais talvez seja possível se deslocar sem um carro.

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Foi durante uma turnê brasileira, inclusive, nos anos 1980, que você ouviu o disco Estudando o samba, do Tom Zé, pela primeira vez. Mais tarde, você lançaria uma coletânea chamada The Best of Tom Zé, o primeiro disco de música brasileira a ficar entre os mais importantes da década nos Estados Unidos. Quais foram as suas primeiras sensações ao ouvir essas músicas e por que você decidiu lançar o trabalho do Tom Zé fora do Brasil?

Lembre-se, não havia internet a essa altura! Então, quando eu recebi o vinil do Tom Zé em casa, fiquei agradavelmente surpreso. Eu gostei muito do disco e imediatamente percebi aquela experimentação radical e com tom de brincadeira, junto à inovação intelectual que estava acontecendo em todo o lugar, e muito fortemente no Brasil, mas a que a América do Norte não tinha acesso. Eu tive que perguntar “quem é esse cara? De onde ele vem? Ele é popular?”. Abri os olhos alegremente quando coloquei pela primeira vez aquele disco no meu tocador – era isso que eu queria que as pessoas experimentassem. A resistência ao disco, é claro, veio do Brasil. Eu recebi perguntas de brasileiros: “por que você está lançando este cara? Temos tantos bons artistas no Brasil, por que não eles? Por que ele?” O que eu poderia dizer? Sim, há tantos outros maravilhosos artistas e compositores no Brasil – e muitos norte-americanos ainda não os conhecem. Mas eu queria mostrar o alcance da criatividade no Brasil a pessoas que ainda, naquele tempo, conheciam somente a Bossa Nova. Eu obtive reações semelhantes quando fui perguntado por brasileiros de que artista do Brasil eu gostava: é claro que eu mencionei os artistas da MPB, mas também falei de Zeca Pagodinho e Jackson do Pandeiro, e eu percebi que algumas pessoas consideravam estes artistas como de baixa categoria. Eu acho que essa atitude mudou desde aquele tempo… Principalmente devido à geração mais jovem de fãs de música no Brasil.

Dentre os primeiros lançamentos da Luaka Bop, nos anos 1980, havia quatro coletâneas de clássicos brasileiros e, com o passar do tempo, você continuou lançando diversos artistas daqui. O que mais te atrai na música e na cultura brasileira?

Para mim, a primeira compilação de MPB era a visão de uma utopia da música pop – um lugar em que trabalhos inovadores e às vezes radicais também poderiam ser populares. Pessoas comuns no Brasil amavam essas músicas e esses artistas, e eles não eram considerados parte de uma elite de gosto refinado. Ainda assim, a música era inovadora e sofisticada. Essa era a proposta incorporada à primeira coletânea que lançamos. Além disso, eu mesmo tive minha própria realização pessoal instigada por essas músicas. Eu me dei conta de que músicas radicais, políticas e inovadoras não precisam ser feias. Na América do Norte e em boa parte da Europa nós duvidamos da beleza. Nós achamos que, se algo é belo, provavelmente também será superficial e meramente agradável. Então, os inovadores aqui no norte tendem a fazer música abrasiva, que afasta os ouvintes. Mas com a música brasileira eu percebi que beleza e profundidade não são mutuamente exclusivas. Os norte-americanos ainda podem ter esse preconceito, mas eu estava encontrando uma saída, ao menos para mim mesmo.

A Luaka Bop é conhecida por seus lançamentos experimentais de músicas da África, Cuba e do Brasil. O selo pode ser considerado uma expressão da sua vontade de mostrar novas músicas ao mundo, que correm fora do mainstream?

Parte do propósito do selo tem sido misturar artistas nacionais e estrangeiros, porque realmente não há muita diferença. Um segundo propósito tem sido não tratar artistas estrangeiros como se sua música fosse algo exótico. Nós sempre sentimos que música de todos os cantos deveria ser tratada da mesma forma que a música produzida aqui. Isso parece óbvio, mas nós sabemos que nem sempre acontece dessa forma. Mas principalmente, nós queríamos apresentar música estrangeira de uma forma não acadêmica – por décadas os discos de fora da América eram tratados como um objeto de estudo antropológico, e não algo que você toca numa festa. Bem, sou feliz em dizer que muito disso está mudando.

Desde o fim do Talking Heads e a criação da Luaka Bop, a internet transformou completamente a indústria da música. Você poderia traçar um paralelo entre essas duas épocas?

Sim, a internet afetou a música antes de afetar muitas outras áreas, talvez porque muitos dos fãs de música são nerds. Para eles, a ideia de ouvir música num computador era natural. Mas a música foi só o princípio e logo todas as áreas criativas serão afetadas. Há aspectos positivos, pois muitas músicas estão disponíveis para serem ouvidas imediatamente, além de o acesso ser muito mais fácil e rápido.

Num artigo publicado no The Guardian, no final de 2013, você afirmou que “a internet irá sugar todo o conteúdo criativo do mundo”. A internet realmente está matando a criatividade das pessoas?

Não está matando a criatividade, mas está tornando mais difícil que pessoas criativas possam viver do seu trabalho. A renda das vendas digitais e especialmente dos serviços de streaming é minúscula. Não me parece sustentável, ao menos não para as pessoas que criam as coisas. Não há renda suficiente para pagar pelas gravações, mesmo que esteja mais barato produzir música hoje, e nem mesmo para os músicos viverem. E se você não consegue viver como músico, jornalista, escritor, compositor ou cineasta, irá desistir eventualmente e procurar outras formas de alimentar a sua família. Eu também me pergunto se a internet pode um dia se tornar segura – Edward Snowden acredita que, por meio da criptografia, podemos torná-la muito mais segura do que é – mas eu me pergunto se a sua própria natureza é favorável à segurança. Acabou de ser revelado que a Agência de Segurança Nacional (NSA) desativou a internet na Síria em 2012, o que significa que eles podem fazer o mesmo em qualquer lugar. Entre eles e as grandes corporações e hackers que sugam todas as nossas informações, a coisa toda me dá arrepios – apesar de eu usar essas tecnologias ainda assim.

Thom Yorke, Beck e outros músicos se uniram a você nas críticas aos serviços de streaming de música como Pandora, Spotify e Rdio. Eles não trazem nada de positivo à indústria da música?

Para o consumidor, pode ser positivo. Mas o Napster e o Limewire [programas de compartilhamento e download de arquivos do início dos anos 2000] também eram – para o consumidor, de qualquer forma. Bom, estou chamando-os de consumidores, mas, na maioria das vezes, eles não pagam nada. Fazer com que a cultura e o conteúdo sejam mais baratos é, de fato, uma ação muito popular entre os consumidores – e também entre os chefões digitais, que são, na verdade, quem ganha dinheiro a partir desses serviços. Mas, da mesma maneira com que a China produz todo o tipo de bens baratos, os benefícios têm um preço. As pessoas que costumavam produzir essas coisas localmente perderam seus empregos. As cidades em que viviam são fantasmas. A longo prazo, o mais barato nem sempre é a melhor opção.

A internet é uma realidade do nosso tempo. Não é possível torná-la uma plataforma rentável para artistas – sejam músicas, escritores, cineastas – que precisam viver do seu trabalho?

A ideia de que escritores não precisam ser pagos pela sua obra, de que músicos devem ceder o seu trabalho de graça (sem serem consultados), e outras atitudes similares, precisa mudar. Há muito papo furado no mundo digital, como a ideia de que toda ruptura é boa ou que tudo deveria ser gratuito e a tecnologia irá resolver todos os nossos problemas. Temos engolido muito dessa tolice. As pessoas estão ganhando muito dinheiro com o mundo digital, sim, mas os que estão lucrando são mediadores que, na verdade, não estão envolvidos com o trabalho artístico ou que não produzem nada. Banqueiros também não produzem nada. Mas eu sinto que essas atitudes em relação à internet e os mediadores irão mudar em breve. As pessoas estão ficando cheias de toda essa propaganda digital e deixaram de acreditar nisso de forma automática.

Você consegue enxergar um futuro em que a arte, em geral, e a internet possam conviver de forma positiva para ambas?

Eu gostaria de acreditar que pode acontecer, mas a minha imaginação ainda não me mostrou como.

Em julho você publicou no seu site uma carta aberta do músico Brian Eno a respeito dos conflitos na Faixa de Gaza. Este é um tema que te perturba?

A carta de Brian era apenas para os seus amigos, mas eu achei importante que os norte-americanos soubessem qual foi a sua reação a esses eventos. O noticiário nos Estados Unidos é tão parcial neste assunto, que eu senti que alguns dos meus leitores ficariam surpresos com o fato de que nem todo mundo pensa da mesma forma que a mídia e o governo. A reação foi rápida e massiva – tivemos em torno de quarenta mil acessos num dia. E havia muitos comentários, alguns bem intencionados, e outros reverberavam a usual estupidez da internet, de ambos os lados. Desde que eu moro em Nova York, também acho importante discursar contra a invasão do Iraque liderada pelos Estados Unidos. Organizei um grupo de colegas artistas e nós ocupamos um anúncio de página inteira no New York Times sugerindo que uma invasão planejada não era resposta para nada. Eu tenho problemas com relação ao Obama atualmente, mas ao menos como senador ele votou contra a invasão. Essa invasão e a anterior, no Afeganistão, destruíram a economia norte-americana (trilhões gastos numa guerra que não resultou em nada) e também provocou um enorme efeito na economia mundial. Politicamente, no mundo, foi um desastre – alguém pensa que o Estado Islâmico do Iraque e do Levante [ISIS, na sigla em inglês] existiria se não fosse pela invasão liderada pelos Estados Unidos? E quanto à reputação dos Estados Unidos – um país que pessoas de todo o mundo costumavam admirar, apesar do apoio a diversos ditadores –, bem, qualquer respeito que restava se foi. Eu vivo aqui, então, apesar dos muitos outros assuntos que me preocupam, este é perpetuado pelo governo do país e m que vivo, logo, eu não posso sentar e agir como se não notasse.

Você é um homem de muitos projetos. Existe algo que ainda não tenha feito?

Eu tenho o bastante para me manter ocupado por enquanto

Trad. Amanda Massuela e Patrícia Homsi

Fonte:Revista Cult

Mafalda chega ao 50 anos sem perder atualidade

Mafalda chega ao 50 anos sem perder atualidade

Quadrinistas homenageiam

Rodrigo Casarin

Mafalda3“Papa?”
“O papai está trabalhando, Guile”
“Po quê?”
“Porque gente grande precisa trabalhar”
“Po quê?”
“Porque senão não dá para comprar comida, nem roupa, nem nada”
“Po quê?”
“Porque o mundo está organizado assim, Guile”
“Po quê?”
“Um ano e meio, e já é candidato às bombas de gás lacrimogênio”.

Os desenhos que ilustram a história acima são até dispensáveis para mostrar como continua atual o universo que rodeia Mafalda, clássica personagem de Quino e que nesta segunda-feira (29) completa 50 anos. A garotinha de cabelos negros ornados por uma fita e rosto gorducho ficou conhecida por causa de suas contestações e inconformismo com o mundo que lhe serviu de palco durante 1964 e 1973.

Filha de pais de classe média, Mafalda nunca se limitou a problemas típicos da infância e levou o olhar crítico e apurado para questões econômicas e sociais de todo o planeta. Demonstrava ojeriza às desigualdades, às injustiças e à violência da mesma forma que repudiava um prato de sopa. Na direção oposta, colocava Beatles no mais alto dos patamares.

“Mafalda é uma heroína ‘enraivecida’ que recusa o mundo tal qual ele é. (…) Já que nossos filhos vão se tornar –por escolha nossa– outras tantas Mafaldas, será prudente tratarmos Mafalda com o respeito que merece um personagem real”, cunhou o escritor Umberto Eco em “Mafalda ou A Recusa”, texto publicado em 1969 e que ajudou a torná-la famosa mundialmente.

Em sua cidade natal, Buenos Aires, Mafalda virou praça e estátua, uma das atrações preferidas de muitos turistas para as fotos. Mas ela representa muito mais que isso: apesar de ter vivido somente nos desenhos e tirinhas –e uma brevíssima incursão pelo desenho animado–, tornou-se uma referência de seu país, uma das dez figuras argentinas mais conhecidas em todo o mundo no século 20.

“Olhando em perspectiva, há dois aspectos importantes sobre Mafalda: o primeiro foi o diálogo com fatos da época, algo inovador em tiras sul-americanas; o segundo, foi o diálogo estabelecido com o leitor adulto. Hoje, muitos se esquecem de que a série foi produzida num momento político bastante delicado da Argentina e que os adultos eram o público-alvo prioritário das histórias. Esse fato direcionou a produção de tiras nos jornais argentinos a partir da década de 1970 e é sentido até hoje”, explica Paulo Ramos, jornalista especialista em HQs , autor de “Bienvenidos – Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos”.

Um capricho no RG

Mafalda completa 50 anos neste 29 de setembro por capricho de seu criador. Na verdade, a menina surgiu em 1963 para uma campanha publicitária, mas Quino, então com 38 anos e já um dos principais desenhistas de humor do seu país, optou por considerar sua data de nascimento o dia em que ela estreou em uma tira independente, publicada no “Primeira Plana”, semanário importante da Argentina na época. O pedido do veículo era para que Quino tivesse uma colaboração regular com ênfase na sátira, e o sucesso veio rápido: em 1966, as tirinhas de Mafalda já eram veiculadas em diversos jornais da América Latina e a garotinha começava a despontar para o mundo.

Quino é o nome artístico de Joaquín Salvador Lavado, que nasceu em 1932 em Mendoza, no oeste da Argentina. Assim como sua personagem, ele veio de uma família de classe média. Começou a desenhar influenciado por um tio pintor e publicou sua primeira tira em 1954. Exilou-se em Milão, na Itália, em 1976 por conta da situação política de seu país, que se encontrava sob ditadura militar. Mais tarde, passou a viver entre Madrid –tornou-se cidadão espanhol em 1990– e Buenos Aires. Neste ano, ganhou o Prêmio Príncipe das Astúrias. O júri destacou o valor educacional e as características universais de sua obra.

Mafalda1

Foi a universalidade que fez com que Mafalda extrapolasse a Argentina e virasse uma personalidade mundial. Até hoje faz bastante sucesso em países mais diversos, até mesmo do extremo oriente, como China e Japão. “É difícil precisar uma data de quando teria sido a primeira publicação de Mafalda fora da Argentina. No Brasil, ocorreu no comecinho da década de 1970. O eco se tornou maior quando chegou à Europa. O texto de Umberto Eco feito para a contracapa de ‘Toda Mafalda’, que reúne tiras da personagem, seguramente ajudou a dar o empurrão final. O escritor se referia a ela como ‘contestadora'”, registra Ramos.

Essa contestação se voltava a assuntos como a guerra no Vietnã, a situação econômica argentina e o futuro da humanidade. Pela postura, em 1977 Mafalda foi adotada pela Unicef (Fundos das Nações Unidas para a Infância) para ilustrar e comentar a Declaração dos Direitos da Criança. Por causa de suas ideias fortes, certa vez o escritor Julio Cortázar declarou: “O que eu penso da Mafalda não importa. O importante é o que a Mafalda pensa de mim”.

Apesar de todo posicionamento crítico, ela conseguiu escapar da censura de seu país em uma época que os militares procuravam calar qualquer voz que destoasse das posições oficiais da nação. Quino acredita que isso possa ter acontecido porque as tiras eram percebidas como algo menor, um mero entretenimento –algo evidentemente equivocado.

“Cresci com ela e, cada vez que a lia, entendia de novas formas. Sinto que ela também foi crescendo comigo. São quadrinhos reflexivos e com altos voos poéticos. Mafalda representa a todas as pessoas que sonham com um mundo melhor”, diz Gervasio Troche, quadrinista que nasceu na Argentina, mas se tornou cidadão uruguaio.

Mafalda2

Colegas de Mafalda e Quino

O sucesso de Mafalda é dividido também com seus colegas de tiras, personagens que em muitas ocasiões foram fundamentais para que a inteligência da garota se destacasse. Depois do pai, que adora cultivar plantas, e da mãe, dona de casa vista como medíocre, o primeiro a aparecer, no começo de 1965, foi Felipe, um rapaz magro, de dentes projetados e personalidade bastante introspectiva.

Aos poucos foram surgindo outros, como Manolito, um gorducho que coloca o dinheiro acima de todas as coisas; Susanita, garota de rosto alongado e marcada pela futilidade; e Miguelito, um menino mais novo que costuma levar tudo ao pé da letra; além de Guile, o irmãozinho mais novo de Mafalda. “Admiro como Quino refletiu a sociedade nas diferentes personalidades de seus personagens”, diz Troche.

O sucesso das tiras fez também com que toda obra de Quino fosse observada com atenção. O próprio Troche conta que foi graças à garotinha que conheceu os outros trabalhos de autor. “O livro que mais influenciou a minha carreira foi ‘Gente En Su Sitio’. Eu era um adolescente e buscava uma forma de me expressar com desenhos. Quando o li, senti uma emoção gigante e encontrei o que gostaria de fazer”.

Quem segue linha semelhante é o quadrinista brasileiro André Dahmer. “Assim como [Robert] Crumb e [Charles] Schulz, Quino é uma escola dentro dos quadrinhos e da arte gráfica. Mafalda é icônica, brilhante e exata. Acho o trabalho de cartum do Quino mais importante e interessante, mas fica aqui o registro da invenção de um clássico”.

A declaração de Allan Sieber, outro quadrinista nacional, vai ao encontro à de Dahmer. “Na verdade, fui mais influenciado pelos cartuns do Quino do que pelas tiras. E reza a lenda que ele acabou com a Mafalda porque o Jaguar falou que era uma m…”.

Aposentadoria precoce

Ao longo de sua história, Mafalda passou por algumas publicações argentinas, mas em meados de 1973 seu criador decidiu que era hora de encerrar as tirinhas com a personagem. Dizia estar cansado de fazer sempre a mesma coisa, que encontrava dificuldades em não se tornar repetitivo. Apesar de desenhá-la novamente em uma situação específica ou outra, colocava ali um ponto final nas tramas da garota e seus colegas. Mas Mafalda continuou sendo lida e muito bem quista pelas décadas e gerações seguintes.

Em recente entrevista à agência de notícias EFE, Quino disse ser “como um carpinteiro que fabrica um móvel, e Mafalda é um móvel que fez sucesso, lindo, mas para mim continua sendo um móvel, e faço isto por amor à madeira em que trabalho”.

Por mais que tente transformar a garotinha em um mero objeto, o cartunista jamais conseguiu desvincular seu nome do de sua criatura. “Não sei dizer se, na época, ele tinha dimensão do ícone que iria ser criado a partir de então. Assim como Che Guevara, Evita Perón, Carlos Gardel, Mafalda foi inserida no rol de personagens míticos da cultura argentina, que saíram de cena no auge de suas diferentes atuações. Mafalda é uma filha que Quino carrega até hoje”, diz Ramos. “É uma dessas obras que atravessaram o tempo. Cada artista reflete a sua época, mas há obras que perduram porque foram feitas para transcender”, completa Troche.

Fonte: Uol Entretenimento

Cuidados ao usar o Whatsapp

Cuidados ao usar o Whatsapp

whatsapp

“Me adiciona no whats?”. Se você tem smartphone, provavelmente já ouviu essa frase. O aplicativo de troca de mensagens de texto, imagem e voz tornou-se um dos mais populares do planeta.

Dados divulgados recentemente pela companhia mostram que o aplicativo tem 430 milhões de usuários no mundo todo. O número representa um aumento de 30 milhões desde os últimos dados revelados, em dezembro de 2013.

Os benefícios do WhatsApp são muitos, mas também existem vários cuidados que precisam ser tomados por quem usa o programa.

Como a troca de mensagens é geralmente muito pessoal, ninguém quer um bisbilhoteiro investigando o que foi escrito ali, e muito menos que esses dados caiam nas mãos de um criminoso virtual. Veja o que é possível fazer para evitar problemas.

Apague as suas conversas

Uma das melhores proteções para quem usa o WhatsApp é não transformá-lo em um arquivo da sua vida. Com o tempo, as mensagens se acumulam e viram um prato cheio para curiosos ou pessoas mal-intencionadas. Um jeito bom – e um tanto radical – de evitar que caiam em mãos erradas é apagá-las regularmente.

Por que você acha que o Snapchat já caiu no gosto dos americanos, e vem conquistando espaço no mercado brasileiro? Justamente pelo fato de o aplicativo sumir com as imagens trocadas após dez segundos. Quem viu, viu. Quem não viu, não vê mais.

Bloqueie o smartphone

Outra proteção bastante eficaz contra curiosos é muito simples de se fazer. Basta colocar uma senha de acesso ao smartphone, que pode ser numérica, por reconhecimento de padrão ou biométrica. As opções variam de acordo com o modelo do aparelho.

Cuidado com os grupos

Grupos de mensagens coletivas são um perigo. Como há várias pessoas, pode ter aquele “engraçadinho” que compartilha fotos e vídeos ilegalmente. Lembre-se de que as mensagens podem ser investigadas, se houver um processo judicial. E também pondere antes de escrever ou enviar algo neste grupo, pois há a chance daquele “engraçadinho” encaminhar mensagens suas para outras pessoas. E isto pode causar uma grande dor de cabeça. Desde brigas com namorados até, em casos mais graves, processos criminais.

Não receba arquivos desconhecidos

Recentemente, estava circulando um malware pelo app que anunciava ao usuário que ele tinha uma nova mensagem de voz, e ao clicar no play, a pessoa baixava o arquivo infectado para o smartphone.

Por isto, antes de fazer download de arquivos, verifique se o remetente é conhecido. E fique atento, pois as mensagens de voz aparecem automaticamente após apertar o play. Não há necessidade de clicar em link nenhum para ouvi-las.

E não responda para números desconhecidos. Este também é outro tipo de golpe, no qual o criminoso te manda uma mensagem, e qualquer retorno seu já serve para ele te prejudicar. Ah! Um antivírus, nestes casos, irá ajudá-lo bastante.

Evite Wi-Fi público

Redes públicas de acesso Wi-Fi são perigosas não apenas para quem usa WhatsApp, mas para qualquer tipo de aplicativo que transmita dados pela web. Como a senha é compartilhada, pessoas podem espionar o tráfego. E numa destas, algum desconhecido pode ter acesso às suas conversas.

Certifique-se de que está falando com a pessoa certa

Além de criminosos virtuais, é preciso ter cuidado com aqueles que também agem nas ruas. Há casos de pessoas que têm o celular roubado, e o ladrão troca mensagens com os contatos da vítima fingindo ser ela. O objetivo, claro, é contar uma história fantasiosa para aplicar um golpe. Fique esperto e não passe dados pessoais. Se marcar um encontro, não deixe de confirmá-lo com uma ligação.

Se você é daqueles que não vive sem WhatsApp, é bom ficar ligado nas dicas acima e proteger seu smartphone!

Fonte: Uol Segurança Online

Rock n’ Roll A – Z (Arctic Monkeys)

Arctic Monkeys é uma banda britânica de rock formada em 2002 nos subúrbios da cidade de Sheffield, na Inglaterra.

Arctic Monkeys

A banda é geralmente considerada parte da cena indie rock1 assim como as bandas contemporâneas The Libertines, The Futureheads e Franz Ferdinand. Atingiram o sucesso através de fitas demo ecompartilhamento de arquivos.2 Os Arctic Monkeys alcançaram o sucesso com seu segundo single, “I Bet You Look Good on the Dancefloor”, que alcançou o número um no UK Singles Chart.

Seu álbum de estréia Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, lançado em janeiro de 2006, tornou-se o álbum de estreia vendido mais rápido na história da música britânica, ultrapassando Definitely Maybe do Oasis e continua a ser o álbum de estréia mais rapidamente vendido de uma banda no Reino Unido e tendo recebido elogios da crítica, vencendo o Mercury Prize 2006 , o Brit Award for Best British Album em 2007 e eleito pela NME o 5º melhor álbum da música britânica. Ele também foi nomeado para o Grammy de Melhor Álbum de Música Alternativa. O segundo álbum da banda, Favourite Worst Nightmare, foi lançado em 23 de abril de 2007, vendeu mais de 225.000 cópias em sua primeira semana, e foi nomeado para o Mercury Prize 2007. O grupo também recebeu o prêmio de Melhor Álbum Britânico e Melhor Grupo Britânico, no Brit Awards 2008. Seu terceiro álbum, Humbug, foi lançado em 24 de agosto de 2009. Suck It and See é o quarto álbum da banda e foi lançado no dia 6 de junho de 2011. Em 24 de junho de 2013, o Arctic Monkeys anunciou o lançamento de seu quinto álbum de estúdio, AM, para 9 de setembro de 2013.

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O programador brasileiro e as oportunidades no exterior

Uma reflexão sobre os desafios e motivações de um brazuca no além-mar

Há quatro anos deixei o Brasil para me aventurar no velho mundo.

Fui embora assim que terminei a universidade e sequer tive a experiência de ter um emprego formal como desenvolvedor no Brasil. Mas mantenho contato com vários desenvolvedores brazucas e tenho uma noção de como está o mercado de TI no país.

Estive em entrevistas de trabalho com brasileiros, mas do outro lado da mesa, como entrevistador. E ao observar algumas características comuns entre eles, pude aprender um pouco mais sobre o perfil de uma grande parcela dos profissionais.

No final do ano passado eu visitei a universidade onde estudei, a UFCG, e tive uma conversa muito produtiva com alguns alunos sobre como é o mercado de trabalho na indústria de software aqui na Europa. O interesse e feedback deles foi extremamente positivo e há algum tempo eu vinha pensando em escrever um pouco sobre isso para uma audiência maior. Não me sinto na posição de dar conselho a ninguém, mas acho que posso emitir opiniões que podem ajudar algumas pessoas a refletir.

O mercado de TI é extremamente globalizado e conseguir um emprego que lhe ofereça todo o suporte para a questão de visto, mudança e etc. é bastante comum hoje em dia. Alguns países têm uma política mais aberta com relação a isso, outros nem tanto, mas em geral os profissionais com qualificação na área de TI têm um certo privilégio devido à grande demanda do mercado e o grande impacto que esse mercado tem na economia atual.

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