Arquivo mensais:janeiro 2015

Sucesso na década de 90, “Mundo da Lua” “previu” crise hídrica

Sucesso na década de 90, “Mundo da Lua” “previu” crise hídrica

LucasSilvaSilva

No telejornal, a apresentadora explica como a ausência de chuvas afeta os reservatórios de água. A reportagem é interrompida por um pronunciamento do presidente da República, anunciando que o abastecimento de água entrou em colapso e proibindo os banhos em todo o território nacional.

Exibido há mais de 23 anos, o episódio do seriado “Mundo da Lua” retrata uma situação que, em meio à atual crise hídrica em São Paulo, já não parece nem um pouco absurda.

Produzido pela TV Cultura entre 1991 e 1992, o programa foi um dos mais populares entre o público infantil na década de 1990. A atração era protagonizada pelo garoto Luciano Amaral e tinha no elenco os atores Antônio Fagundes, Gianfrancesco Guarnieri e Mira Haar.

No episódio “O Esquadrão do Sabonete”, que foi ao ar em 1991, o garoto Lucas sonha com um mundo em que nunca mais tenha que tomar banho. Com o anúncio do presidente, vê seu desejo se transformar em realidade, mas, com o passar dos dias, percebe como a falta de água é ruim.

Louças sujas empilhadas por semanas, pais que avisam aos filhos para não puxar a descarga do banheiro… Será que em breve essas cenas da ficção vão se tornar realidade?

Fonte: Uol TV e Novelas

Há 30 anos, tensão e pulsos cortados marcavam a gravação de “Legião Urbana”

Há 30 anos, tensão e pulsos cortados marcavam a gravação de “Legião Urbana”

Tiago Dias

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Há 30 anos, chegava às lojas o álbum de estreia de uma banda de Brasília que gostava de ser chamada de punk, soava como Joy Division e tinha letras politizadas. A capa branca, com uma foto em preto-e-branco dos integrantes ao centro, era apenas uma janela para toda a ingenuidade, raiva e confusão de quatro adolescentes brasilienses: Renato Russo, Marcelo Bonfá, Dado Villa Lobos e Renato Rocha.

Lançado na primeira semana de janeiro de 1985, o primeiro álbum da Legião Urbana foi a pedra fundamental de uma nova fase no rock BR, mais poético e político, e o começo do fenômeno em que a banda se tornou. As sessões de gravação, no Rio de Janeiro, entre outubro a dezembro de 1984, no entanto, foram repletas de intempéries, com momentos tensos no estúdio, troca de produtores e Renato Russo cortando os pulsos.

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“O primeiro disco era para ser gravado com o Renato como baixista. A Legião começou com essa cozinha, eu na bateria e o Renato no baixo. A gente se identificava muito bem”, relembra o baterista Marcelo Bonfá, em entrevista ao UOL. Completava a formação Dado Villa Lobos, na guitarra. “Mas, nesse momento, o Renato cortou os pulsos dias antes de entrar no estúdio.”

Amigo próximo de Renato, Bonfá não acredita que houvesse uma razão pessoal e mais profunda para a tentativa de suicídio. “Eu posso especular. Ele tocava baixo e queria ficar mais solto. Ele queria ficar só cantando. Ele conseguia enxergar o cenário se formando, posso imaginar. Deu um nó na cabeça dele. Pode ter acontecido algo mais pessoal, mas estávamos muito juntos na época e não me lembro de um motivo a mais.”

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O susto apenas forçou a entrada de mais um componente na banda, o baixista Renato Rocha, que Bonfá conheceu em uma das festas de rock na cidade-satélite. A conversa foi direta. “‘Vamos tocar, velho?’. ‘Vamos’. ‘Semana que vem?’. ‘Vamos’. Ele era uma figura louca, um cara gente fina”, lembra o baterista.

A gravadora EMI estava ansiosa para contratar a banda, após ver a Legião em ação no Circo Voador, no Rio de Janeiro. Havia, naquele momento, um burburinho em torno do rock de Brasília. Os Paralamas do Sucesso haviam acabado de gravar “Química”, composição de Renato, no álbum de estreia da banda, “Cinema Mudo” (1983). Com a versão, Herbert Vianna pediu atenção para a cena que surgia na capital do país, distante da alegria e do colorido de bandas cariocas como Kid Abelha e Blitz, que tomavam as paradas.

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A referência da Legião sempre fora outra, mais cinza, como a cidade de concreto de onde ela vinha. As novidades da música chegavam por lá por meio dos filhos de figurões, diplomatas e políticos que voltavam de viagem do exterior com a mala cheia de discos de grupos punks como Sex Pistols, The Clash e The Stooges.

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“Nossa música era muito visceral, energética e tinha tudo a ver com o que estávamos passando ali. Entramos no estúdio com isso em mente. Eu queria que o disco fosse cru e pesado”, relembra Bonfá.

A petulância que só a juventude traz rendeu embates no estúdio e dança da cadeira entre os produtores. Nomes como Rick Ferreira e Marcelo Sussekind chegaram a produzir o álbum, mas acabaram sendo substituídos. “Eles queriam algo mais country, e não era o que queríamos fazer. A gente teve problema também com o [crítico musical e diretor de produção do álbum] José Emilio Rondeau. Não tinha muita conversa, não dávamos nem a chance. Queríamos tirar um som grosseiro, e o técnico de som, por melhor que ele fosse, não estava acostumado com aquela sonoridade. Falávamos: ‘Você quer isso que a gente tem? Então deixa com a gente’. Éramos muito jovens.”

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A última cartada da gravadora foi a chegada de Mayrton Bahia, que havia produzido discos de Elis Regina e 14 Bis. Diplomático, Bahia conseguiu a confiança dos músicos em conversas intermináveis na madrugada. Era o cara que tentava conciliar o desejo da Legião com o propósito da gravadora. Chegou-se, então, a um denominador comum.

“Para as pessoas entenderem nosso som, precisava da mão de alguém da gravadora. Não adiantava chutar o balde. Ainda bem que não estava só eu, senão seria um barulho só. Eu achava que tinha ser gravado ao vivo no estúdio, todo o mundo tocando junto”, reconhece hoje Bonfá.  Mayrton Bahia acabaria se tornando um produtor fixo da banda até “O Descobrimento do Brasil” (1993).

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“É direto isso aqui, não?”
Recheado de composições políticas, sem firulas, “Legião Urbana” é um registro da juventude entre o fim da ditadura militar e a lenta e difícil reabertura da democracia. Havia ali canções sobre relacionamentos, que se tornariam o foco da banda no futuro, como “Ainda É Cedo” e “Por Enquanto” –última música a entrar no álbum–, mas a temática do disco era ressoar o grito jovem das ruas. “Soldados”, “Geração Coca-Cola”, “O Reggae” e “Petróleo do Futuro” traduziam esse clima. Conta a lenda que Gonzaguinha estava na EMI quando mostraram a letra de “Geração Coca-Cola”, da banda recém-contratada. “É direto isso aqui, não? Nada cifrado”, teria comentado.

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“Estava rolando uma oportunidade para isso. Lembro que um dia que eu estava na casa do Renato, estávamos na janela conversando, quando vimos um cara com a bandeira do Brasil correndo, e o camburão o seguindo. Desceram a porrada e colocaram o cara lá dentro. Até hoje você vê esse abuso de autoridade da polícia. Há um resquício ainda da ditadura. É muito louco”, observa o baterista.

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Muitas das canções do primeiro álbum ganharam um significado especial para Bonfá anos depois. Entre elas, o o primeiro grande hit, “Será” –música emblemática que abre o álbum, direta, contagiante e de forte imagem poética. “Eu fui muito admirador do Renato, como pessoa e como letrista. Ele era um cara que conseguiu uma sensibilidade que não me bateu na época, até porque eu nem estava focado nisso.” E analisa: “É preciso mudar em você o que você quer mudar no outro. Não é isso que todo o mundo diz?”.

Fonte: Uol Música

Martinho da Vila no Sesc Pinheiros

Martinho da Vila no Sesc Pinheiros

Em série de shows no Sesc Pinheiros, o cantor e compositor Martinho da Vila apresenta seu trabalho intitulado “Sambas e Enredos”. As próximas apresentações acontecem nos dias 31 de janeiro de 2015, às 21h; e no dia 1º de fevereiro, às 18h. Os ingressos custam até R$ 60.

No show, o artista faz um panorama dos principais sambas-enredos escritos por ele ao longo de sua trajetória musical, indo desde a primeira composição para a escola Aprendizes da Boca do Mato até as letras campeãs com a Vila Isabel.

Esses temas são intercalados com sucessos como “O Pequeno Burguês”, “Canta Canta Minha Gente”, “Ex Amor” e “Mulheres”.

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Fonte: Catraca Livre

“Estafa mental” ou cansaço mental: Entenda e saiba como tratar

“Estafa mental” ou cansaço mental: Entenda e saiba como tratar
Talvez você não saiba, mas o excesso de estresse e trabalho pode torná-lo vítima de estafa
mental. Segundo o site Minha Vida, a estafa mental caracteriza-se pelo excesso de
atividades intelectuais.
EstafaMental
Diferente do estresse, que é uma sensação momentânea, a estafa mental é mais intensa e
constante, e ultrapassa a capacidade mental de resolver os problemas, provocando
esgotamento do cérebro.
“Se os lobos frontais do cérebro são usados em excesso, ele entra em processo de
esgotamento e não trabalha direito”, explicou o neurocirurgião Fernando Gomes Pinto, do
Hospital das Clínicas de São Paulo, em entrevista ao site.
Além de falta de concentração, problemas de memória, alterações de humor e distúrbios do
sono, a estafa mental pode provocar fortes dores de cabeça, tonturas, tremores, falta de ar,
perda ou aumento repentino do peso e refluxo. Se não tratado e combatido, o esgotamento
do cérebro pode levar a doenças como depressão, hipertensão, fobias, ansiedade e doenças
cardíacas e gástricas.

O Minha Vida formulou um teste para você avaliar se sabe identificar o que é a estafa mental. Faça o teste e saiba como combatê-la aqui.

Fonte: Catraca Livre

PM baiano desvenda significados de tatuagens no mundo do crime

PM baiano desvenda significados de tatuagens no mundo do crime

Ricardo Senra

TattoosCriminosas

Estudo levantou 50 mil documentos e fotos em presídios e delegacias, institutos médicos legais, jornais, revistas e redes sociais, além de raras entrevistas com detentos

Palhaços, índias, magos, caveiras, bruxos, serpentes, polvos, aranhas, peixes, anjos, santos e demônios são figuras comuns nos presídios brasileiros.

Há pelo menos 10 anos, o capitão da Polícia Militar baiana Alden dos Santos se dedica a traduzir os significados destas e outras imagens desenhadas nos corpos de presos e suspeitos de crimes no Brasil e no exterior. Seu estudo sobre os significados das tatuagens gerou uma cartilha, adotada oficialmente como apoio a investigações pela PM da Bahia.

“Foram detalhados os significados de 36 imagens associadas a crimes específicos”, diz o capitão. “Muitas delas, além de se repetirem em todo o país, aparecem nos mesmos padrões em países como Estados Unidos, Rússia e locais na Europa.”

Além de símbolos mais conhecidos, como palhaços [associados a roubo e morte de policiais], magos ou duendes [comuns entre traficantes], a pesquisa identificou recorrência inusitada de personagens infantis, como o “Diabo da Tasmânia”, o “Papa-léguas” e o “Saci Pererê”.

O primeiro sugeriria envolvimento com furto ou roubo, principalmente arrastões. Já o Papa-léguas – ou sua variação mais comum, o “Ligeirinho” – indicaria criminosos que usam motocicletas para o transporte de drogas.

O Saci também teria relação com o tráfico: seus portadores seriam responsáveis pelo preparo e distribuição dos entorpecentes.

Foi pelas redes sociais que a pesquisa de Alden encontrou popularidade: mais de 5.000 pessoas acompanham suas postagens no Facebook sobre supostas conexões entre crimes e tatuagens, além de casos policiais não registrados pela grande mídia.

Pelo YouTube, os vídeos publicados pelo PM já foram vistos mais de 600 mil visualizações. O resultado final do estudo já foi baixado pela internet por mais de um milhão de pessoas.

Estigmatização?

Aproximadamente 50 mil documentos e fotos foram coletados pelo PM: eles vêm de presídios e delegacias, institutos médicos legais, jornais, revistas e redes sociais – tudo isso somado a raras entrevistas com detentos de prisões baianas.

“As principais informações infelizmente não vieram dos presos em si. Há um forte código de silêncio. As conclusões vieram mais pelo cruzamento de dados”, diz. Ele explica: “Levantamos, por exemplo, todos os presos que tinham tatuagem do Coringa e cruzamos com suas sentenças. Havia um padrão claro em seus delitos.”

O padrão, segundo o militar, indica “roubo e envolvimento com morte de policiais”.

“Portadores desta tatuagem demonstram frieza e desprezo pela própria vida”, explica o PM. “A maioria parece absorver as características deste personagem – insano, sarcástico, vida louca. Normalmente não se entregam fácil e partem para a violência.”

Questionado sobre a estigmatização que a pesquisa poderia provocar sobre quem tem imagens pelo corpo, o policial militar diz deixar claro que cidadãos “nunca poderão ser abordados somente por apresentarem tatuagens descritas na cartilha”.

“Nosso objetivo não é discriminar pessoas tatuadas, isso seria discriminar o próprio ser humano, que há muito tempo usa tatuagens como forma de expressão”, diz o capitão Alden.

Ele diz que, para policiais, a importância do estudo é ajudar o policial a salvaguardar sua integridade física, no caso de tatuagens ligadas a mortes de oficiais.

“Elas também funcionam como mais uma ferramenta para facilitar o trabalho de reconhecimento de suspeitos”, diz, citando as imagens de carpas – estes peixes são frequentemente associados à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

Códigos

Além das imagens figurativas, elementos gráficos, como pontos tatuados nas mãos, também seriam indícios de crimes, segundo o pesquisador.

Um só ponto preto indicaria “batedores de carteira”. Dois, na vertical, sugerem estupro. Três pontos, em formato de pirâmide, apontam relação com entorpecentes.

O oficial não teme que a divulgação dos símbolos iniba que a exibição ou confecção de novas tatuagens suspeitas.

“A existência desse material não fará com que as facções alterem seus códigos”, diz Alden ao #salasocial. “Por incrível que pareça, em vez de os suspeitos deixarem de usar a imagem que os associam à prática de determinado crime, o que percebemos é a lógica inversa: quanto mais se tem consciência de que a polícia conhece, mais frequentes são as imagens, como uma espécie de desafio.”

Segundo o PM, a tendência não se limita ao Brasil.

“O palhaço, com o mesmo significado, é muito comum também na máfia russa, no México, nos Estados Unidos, em Porto Rico. O mesmo ocorre com a índia (mulher cabelos negros e longos, que já serviu para indicar quem tinha autorização do tráfico para portar fuzis, hoje mais associada à prática de roubos).

‘PM gato’

Não são só as “traduções” das tatuagens que garantem sucesso ao Capitão Alden – mensagens como “Vc é muito gato. Com todo respeito. Mas se faltar com o respeito vc me prende?” e “Tá lindo, Capitão magia” são comuns nas fotos pessoais publicadas pelo PM em sua página.

Chamado de “PM Gato”, Alden minimiza o sucesso pessoal nas redes.

“Eu uso a página só para divulgação de trabalhos da polícia”, diz. “Mesmo com tanto assédio das mulheres, a intenção da página é profissional.”

Ele se diz surpreso com o alcance que suas postagens vêm ganhando.

“Gera muita repercussão e isso me dá cada vez mais disposição de alimentar a página. A tatuagem ainda chama atenção, mesmo sendo algo que já faz parte da própria natureza humana”, afirma.

Fonte: Uol Notícias