Arquivo mensais:fevereiro 2016

Preconceito está associado a ignorância, diz Kobra sobre grafiteiros torturados no Rio

Preconceito está associado a ignorância, diz Kobra sobre grafiteiros torturados no Rio

Paula Bianchi

 

Nesta semana, a Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público contra dois homens acusados de torturarem três grafiteiros no centro da capital fluminense no começo do ano. Os grafiteiros foram espancados com barras de ferro e cobertos de tinta por seguranças da Saara (Sociedade de Amigos das Adjacências da Rua da Alfândega), um centro de comércio popular no centro da cidade.

Para o grafiteiro Eduardo Kobra, 40, que chegou a ser pintado e preso quando fazia trabalhos no passado, “nada justifica violência”. Kobra, que tem trabalhos expostos pelas ruas de mais de 15 países, acredita que o preconceito contra o grafite está muito relacionado à ignorância e que é preciso mudar essa cultura no Brasil. “Há tantos artistas que de forma voluntária saem das suas casas com as suas tintas e vão doar os seus trabalhos para a cidade”, diz. “Precisamos perceber a oportunidade que nós temos como vanguarda na street art e incentivar.”

Confira abaixo os principais trechos da entrevista com o artista:

UOL – Há pouco tempo, no Rio de Janeiro, três grafiteiros foram agredidos e torturados por seguranças da Saara, um centro de compras popular no centro da cidade. Como você vê esses casos de violência? O grafite ainda é visto como algo marginal no Brasil?
Eduardo Kobra – Sou contra qualquer tipo de agressão. Nada justifica violência. Ainda mais por parte de pessoas que estão ali com a função de proteger e cuidar. Quando se trata de artistas, caímos em outro detalhe que é a falta de conhecimento. Esse preconceito está muito associado à ignorância. Há tantos artistas que de forma voluntária saem das suas casas com as suas tintas e vão doar os seus trabalhos para a cidade, muitas vezes com muita dificuldade, tanto para comprar as tintas quanto para executar o trabalho… No passado, as pessoas passavam e me chamavam de vagabundo. Falavam, “vai procurar um trabalho, procurar o que fazer”. Até hoje, ainda observamos esse tipo de atitude.

Aqui em São Paulo conseguimos uma melhora nesse quadro. Áreas importantes da cidade, como a avenida 23 de Maio, foram cedidas aos artistas, mas a maioria dos que estão pintando nas ruas já sofreram com violência. Eu já passei por uma situação similar a essa, fui pintado e cheguei a ser detido três vezes por pichação. É constrangedor. O melhor caminho nessas horas é aplicar a lei. E tenho certeza de que a lei não permite nenhum tipo de violência.

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Palavras* malditas (14): tantas vezes menor

Palavras* malditas (14): tantas vezes menor

Mário Magalhães

Este é um caso em que o idioma executa o crime, mas não é o autor intelectual.

A língua compartilha a culpa com a física e a matemática. Isto é, com o desconhecimento dessas matérias.

Se uma pilha tem quinhentos tijolos e outra, cem, o sujeito tasca: a segunda é cinco vezes menor que a primeira.

Na papelaria, o freguês escolhe um globo, e o vendedor compara: este é três menor que aquele.

Trata-se, com os tijolos e o globo, de uma impossibilidade.

Um objeto uma vez menor que ele significa zero, ou nada. Não existe.

Tudo só pode ser reduzido até o seu limite físico, portanto uma vez, ou cem por cento _cheque especial são outros quinhentos, até porque aí os juros multiplicam a dívida, e põe multiplica nisso!

A pilha maior representa cinco vezes a primeira, 400% mais.

O globo maior, três vezes o tamanho do pequeno, acréscimo de 200%.

O que o pessoal deveria dizer é que a pilha menor equivale a um quinto da maior, ou 20%.

E o globinho, a um terço ou 33,3% do modelo mais parrudo.

Sabem onde eu mais leio e ouço a fórmula “tantas vezes menor”?

Não é no desdenhado jornalismo esportivo, clube em que militei por anos e do qual ainda me considero sócio.

Mas na cobertura de economia, seção em que em tese o domínio de números seria maior, para o jornalista não se deixar engambelar por economistas.

( O blog está no Facebook e no Twitter )

Eis as palavras malditas anteriores (clique em cima, se quiser ler):

1) emblemático;

2) instigante;

3) eu, particularmente;

4) circula com desenvoltura;

5) não resistiu;

6) um verdadeiro;

7) amigo pessoal;

8) vítima fatal;

9) figurinha carimbada;

10) evidência;

11) conferência de imprensa; coletiva de imprensa;

12) barbaramente torturado;

13) estrategista.

* Acrescente-se que provavelmente o autor quisesse dizer palavras ou expressões.

Fonte: Blog do Mário Magalhães

Como piadas transformam-se em tragédias sob nossa arrogância

Como piadas transformam-se em tragédias sob nossa arrogância

Leonardo Sakamoto

Donald Trump, pré-candidato repuBlicano à Presidência dos Estados Unidos, fala as aberrações que fala porque sabe que muita gente irá aplaudi-lo por isso. Em verdade, ocupou um espaço de porta-voz de um grupo grande de pessoas, dando espaço a setores insatisfeitos que se sentem excluídos e estão fora do radar captado pela mídia.

(…)

(A luta pela igualdade de direitos, é claro, é tão antiga quando a história da raça humana. Mas tem gente que defende que o estudo da História é inútil e contamina a alma. Na sequência, aparecem pessoas defendendo queimar livros em praça pública, no Brasil, como na Alemanha pré-segunda guerra. Vai entender…)

Ou seja, a visão de mundo sobre a qual eles fundamentaram sua vida agora, sob um novo paradigma, precisa ser revista para acomodar outros atores antes excluídos. Mas nem todos aceitam ou conseguem adotar o manual 2.0 facilmente.

O problema é que a sociedade civil e a mídia não foram competentes de trazer esse público para a arena de discussão e construir com eles o conhecimento de que a inclusão social e o respeito à diferença não são coisas que tolhem a liberdade mas, pelo contrário, reafirmam-na.

Ao mesmo tempo, Trumps da vida contam com recursos para se fazerem conhecidos e ventilarem suas ideias. Possuem o aparente frescor da novidade em suas figuras, outsiders do jogo político partidário tradicional, apesar do discurso que empunham defender a permanência do mundo de sempre.

Não precisam ganhar nada, a bem da verdade. São azarões e, portanto, franco-atiradores para fazerem o que for preciso para ganhar.

Como disse o blog norte-americano PolÍtico, cobrir um candidato como Trump (ou alguma futura versão tupiniquim) deve ser algo divertido para a imprensa. Cada dia, uma loucura nova, demandando cobertura.

Mas como já tratei diversas vezes neste blog, parte da elite intelectual seja de esquerda, de centro e de direita, é vítima da arrogância de sua análise de conjuntura enviesada. Em quantas conversas nós, jornalistas, não rimos de Trump, acreditando que a sua campanha seria fogo de palha? Não raro, tratamos como piada ou folclore figuras que sabem muito bem o que fazer e que entendem como parcelas do eleitorado estão divididas, utilizando essa percepção a seu favor. Há alguns meses, vi subir a bandeira amarela com a percepção de que era para valer mesmo. Depois, os candidatos republicanos mais racionais foram perdendo força. É claro que os Estados Unidos não são um grande Tea Party, então há muita água para rolar – e muito cabelo para cair antes de ser decidido quem vai substituir Obama.

Por conta da extrema polarização, algumas figuras tornam-se importantes para um grupo significativo que os vê como “aliado” diante de um “inimigo” comum. Uma simplificação perigosa que tende a cobrar seu preço no futuro, quando constata-se – tarde demais – que a serpente que brotou do ovo morde a mão daquele que o chocou com carinho.

A democracia representativa é cheia de defeitos mas, com seus freios e contrapesos, ainda é melhor do que a tirania que pode ser imposta por pessoas que cheguem ao poder desprezando os direitos fundamentais. Porque a garantia do pacote mínimo de dignidade a minorias de direitos não deve ser feita com base em consultas de marqueteiros junto à opinião pública – que pode ser tão violenta quanto os piores ditadores e fundamentalistas religiosos.

Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, a polarização política e a violência contra as minorias segue bem, obrigado. Em ambos os países, a polícia mata mais negros do que brancos, as bolhas sociais físicas e digitais se multiplicam, garantindo que você não conviva com o terrível contraditório, a questão ambiental é preocupação da boca para fora dos governantes.

Enquanto isso, o conhecimento superficial, suficiente para uma conversa de bar, segue sendo o mais difundido. Se o debate público fosse mais qualificado, a pessoa se sentiria motivada a ler determinados textos até para não ser humilhada coletivamente no Facebook ou no Twitter ao expor argumentos ruins, preconceituosos e superficiais.

O que temos contudo, é que o discurso violento e opressor – mais palatável e que mexe com nossos sentimentos mais primitivos e simples – ecoa e repercute. Esse discurso basta em si mesmo. Não precisa de nada mais do que si próprio para ser ouvido, entendido e absorvido. Em um debate qualificado quem usa esses argumentos toscos nem seria ouvido. Contudo, fazem sucesso na rede. Dão respostas fáceis e rápidas. Ajudam a eleger presidentes.

Cabe à mídia e a pessoas que fazem parte do debate público, a ajudar a qualificar o debate o melhor possível e não esperar para a iminência de uma catástrofe para fazer isso.

Somos nós que semeamos muito do que será, posteriormente, colhido, consumido e usado nesse debate. Se usarmos agrotóxico de forma tresloucada, os frutos da nossa produção virão contaminados.

E, às vezes, no melhor dos desejos de alimentar uma população inteira, mataremos plantas, terra e tudo ao nosso redor.

Fonte: Blog do Sakamoto

 

Rolling Stones 2016, 27 de fevereiro em Sampa

Rolling Stones 2016, 27 de fevereiro em Sampa

Depois eu conto como foi…Agora não dá…

Mas posso dizer que duas das minhas favoritas rollaram e foi melhor do que eu esperava.

O setlist

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Foram muitos dias, muitos meses, muitos anos de espera para encontrar Mick, Keith, Ron, Charlie e os outros integrantes da trupe dos Stones.

Adquiri o ingresso logo nos primeiros minutos de venda. Não iria dar mole e perder esta oportunidade. Achei os preços um pouco salgados, mas gosto é gosto. Paguei pra ver.

Corri atrás do setlist pra saber de antemão o que os moços iriam tocar pra gente. Tocaram quase todas que eu esperava. E, tocaram duas das minhas três favoritas: Paint it black e Gimme shelter. Faltou Dead flowers (She’s a rainbow foi a escolhida)…Gostei mesmo assim.

Também não poderia esperar que eles fizessem tudo que eu queria. Quem sabe tocar umas 40 músicas, fazer um tour pela cidade de Sampa comigo pelo pontos menos turísticos?

Nem foi torturante esperar tanto, já tinha certeza de que tudo daria certo. Faltava um show deles pra completar a trinca dos meus favoritos: Legião Urbana, AC DC e Rolling Stones.

Passei dias e dias ouvindo as músicas e cantando junto pra ter certeza de que eles não iriam esquecer na hora.

Acompanhei a passagem deles pelo Chile e pela Argentina já me preparando para o delírio na pauliceia desvairada.

Passei os meses de janeiro e fevereiro lendo Cem anos de solidão , de Gabriel Garcia Marques. História boa. Eu recomendo.

Avisei a todos os amigos pra não contarem comigo neste importante dia, mas ainda sim, fui a um encontro com amigas do tempo de escola, do primeiro grau, tempo em que eu mal conhecia os ditos cujos. Foi bom encontrá-las. Os amigos também foram convidados, mas ficaram doentes, tiveram que levar os bichanos ao veterinário, tiveram que socorrer a sogra que tava engasgada com ossos de galinha. Enfim, deram cano.

Acordei cedo, Verifiquei se tudo tava em ordem para ir ao show: Mochila, ingressos, documentos etc. Levei o livro do Marques pra ir lendo no caminho. Faltavam poucas páginas para chegar ao fim. Não consegui. Tive que terminar no dia seguinte. Foi meio triste.

Tomei banho, vesti a melhor roupa ( uma bermuda, uma camisa dos Stones e um inseparável boné),passei perfume, escolhi o melhor humor e fui ao encontro das amigas pra depois encontrar os músicos.

Ficamos umas três horas jogando conversa fora. Relembrando bons tempos. Foi muito legal reencontrá-las: Rosana e Eliane, dos tempos de João Teodoro.

Peguei metrô na Bresser e fui até a Faria Lima. De lá, peguei o Jardim das Palmas pra aterrissar no Morumbi, palco do show. Tava carregado de malucos por Stones. Foi rápido. Fui lendo Marques pra passar o tempo de forma agradável. Eu só queria chegar logo lá.

Cheguei por volta de 19 horas, Logo os Titãs subiram no palco e começaram a festa. Ainda bem que não foi o Ultraje que abriu os shows aqui. Teria sido terrível, quase impossível de assistir. Deu pra aquecer o público. Eram mais ou menos umas 60 mil pessoas. Tocaram Polícia, Desordem, Marvin e até  Aluga-se (Raul Seixas). Alguém na plateia pediu ” Toca Raul”. Foi muito bom.

Não quero falar do show em si. Foi tudo muito lindo, muito emocionante, muito legal…

Curti demais tudo. O antes , o durante e o depois. Principalmente o durante. Foi bom demais ver os caras e compartilhar com eles essas horas de transe.

Como eu disse, eles tocaram duas das minhas favoritas, já acima Eu pensei que iria chorar de emoção, mas consegui conter tudo e cantar com eles. Gimme Shelter arrepiou, Jagger cantando na chuva com sua parceira de palco, Sasha Allen. Paint it black elevou a adrenalina. Eu fiquei um pouco triste porque queria que alguém especial estivesse comigo lá. Cheguei a ligar pra que esta pessoa ouvisse a música junto comigo. Acho que ouviu um pouco.

Sympathy for the devil deixaria os anti-satanistas enlouquecidos. Rock é coisa do Diabo!!!

Todas as músicas foram imensamente bem-vindas. Os caras são ótimos. É um show completo de músicas e imagens. É impressionante. É lindo. É arrebatador. É Stones!!!

Eu fui! Eu amei! Eu jamais esquecerei!

Rolling Stones se despede de São Paulo com mais uma noite memorável

Fonte: Youtube

Happy Birthday, Mr. President Igor

Happy Birthday, Mr. President Igor

Parabéns, meu amigo Igor,

Desejo que você tenha muitas felicidades ao longo de sua caminhada nesta estrada chamada Vida.

Para homenagear você, eu convidei a Loira do Banheiro para cantar Happy Birthday to You.

Espero que aprecie e divirta-se com a Marilyn.

Saúde! Luz! Força! Sapiência! E algo mais!

Um abração!!!

 

Pra fechar, um dos seus favoritos:

Fonte: Youtube