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Cinema, filmes nacionais e internacionais

Legião Urbana – Tempo Perdido

Legião Urbana – Tempo Perdido

Todos os dias quando acordo
Não tenho mais
O tempo que passou
Mas tenho muito tempo
Temos todo o tempo do mundo
Todos os dias
Antes de dormir
Lembro e esqueço
Como foi o dia
Sempre em frente
Não temos tempo a perder
Nosso suor sagrado
É bem mais belo
Que esse sangue amargo
E tão sério
E selvagem! Selvagem!
Selvagem!
Veja o sol
Dessa manhã tão cinza
A tempestade que chega
É da cor dos teus olhos
Castanhos
Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo
Temos nosso

 

Tudo que quero – Trailer Oficial

Filme parece interessante, quero vê-lo!!!

Condor, o filme

“Às 18 horas do dia 5 de de­zembro de 1973, meu pai Jo­a­quim Pires Cer­veira (…) se di­rigiu a um en­contro com seu com­pa­nheiro de Or­ga­ni­zação (…) João Ba­tista de Rita Pe­reda.

Atro­pe­lado e se­ques­trado com Pe­reda, no centro de Bu­enos Aires, pela Ope­ração Condor, foram ambos en­tre­gues à di­ta­dura bra­si­leira.

Foi as­sas­si­nado em 13 de ja­neiro de 1974 no DOI-Codi da Barão de Mes­quita (RJ), tor­nando-se um de­sa­pa­re­cido po­lí­tico.

Dali para frente, a vida se re­sumiu na busca da ver­dade e dos seus restos mor­tais”.

O de­poi­mento é de Neusah Cer­veira, jor­na­lista, eco­no­mista, geó­grafa e his­to­ri­a­dora.

Se­gundo ela, o de­le­gado Sérgio Pa­ra­nhos Fleury, do Deops/SP, co­mandou pes­so­al­mente o se­questro, com a co­la­bo­ração de agentes da Po­lícia Fe­deral e do Exér­cito ar­gen­tinos. Teria sido o pon­tapé ini­cial da Ope­ração Condor, em­bora a for­ma­li­zação desse acordo de co­o­pe­ração entre as di­ta­duras sul-ame­ri­canas só haja ocor­rido em 1975.

En­viado a São Paulo, Cer­veira ficou à dis­po­sição do DOI-Codi, então che­fiado por Carlos Al­berto Bri­lhante Ustra.

E foi Ustra em pessoa que o en­tregou ao DOI-Codi/RJ, onde chegou numa am­bu­lância, às 23h do dia 12. Du­rante a ma­dru­gada exe­cu­taram-no; de­pois, deram su­miço nos seus restos mor­tais.

Co­nheci Cer­veira em maio de 1970, no DOI-Codi/RJ. Qua­rentão, bon­doso, es­for­çava-se por elevar o moral dos co­legas de cela, can­tando mú­sicas de sua au­toria.

Neusah: “busca da verdade e dos restos mortais”

Uma delas ficou para sempre na minha lembrança. Começava assim: “É bonito o anoitecer na praia,/ é bonito o anoitecer no mar./ Eu fui no mar, à tardinha,/ levar meu presente pra nossa rainha./ Ê, ê, é a rainha do mar,/ ah, ah, nossa mãe Iemanjá”.

Por razões de segurança, não conversávamos sobre nossas respectivas militâncias. Soube depois que ele havia feito carreira militar, chegando a major; era gaúcho e vinha das hostes brizolistas.

Mal os golpistas de 1964 usurparam o poder, transferiram-no à reserva: ele foi um dos punidos pelo Ato Institucional nº 1.

Preso em outubro de 1965, acabou sendo em maio de 1967, inocentado da acusação de ter facilitado a fuga do coronel Jefferson Cardim Osório, pertencente ao Movimento Nacionalista Revolucionário.

Nova detenção em 1970, quando fomos colegas de infortúnio. Sua esposa e filho também sofreram maus tratos.

Minhas recordações, evidentemente, são nebulosas, tanto tempo depois. Mas, ficou-me a imagem de um homem do tipo caseiro, cuja aparência afável e inofensiva contrastava com a dos ex-militares da minha própria organização, a VPR; estes tinham ar decidido e pareciam sempre prontos para a ação.

Presos políticos trocados pelo embaixador alemão; Cerveira é o grisalho, na fileira do fundo.

Minha avaliação, face ao que fiquei sabendo depois, não estava longe da realidade. Cerveira, bom pai de família, poderia perfeitamente ter levado uma existência prosaica. Era a noção do dever, a fidelidade à causa revolucionária, que o forçava a enfrentar perigos e viver fugido.

Um dos 40 presos libertados quando do sequestro do embaixador alemão, viajou em junho de 1970 para a Argélia.

No Chile, participou em 1972 do julgamento de uma dirigente da VPR, acusada de pusilanimidade diante da repressão. Convenceu os demais julgadores de que, mesmo sendo ela culpada, revolucionários não deveriam matar revolucionários. Salvou-lhe a vida.

Sem a mínima ambição pessoal, com enorme idealismo e força moral, Cerveira foi um daqueles quadros que fizeram muita falta na redemocratização do país.

Cerveira na lista dos incinerados

Sequestrado em Buenos Aires, assassinado no DOI-COI e incinerado na usina Cambahyba

“Maria de Lourdes Pires Cerveira (…) conversou com o marido pela última vez em novembro de 1973, quando combinaram que a família se reuniria em Buenos Aires em janeiro de 1974. Joaquim deveria ter ligado para a casa em 10 de dezembro, data do aniversário da filha, mas não o fez.

No dia 3 de janeiro, a família recebeu um telefonema anônimo informando que Cerveira fora sequestrado na capital portenha quase um mês antes, mais precisamente no dia 5 de dezembro.

…O anfitrião de Joaquim Cerveira em Buenos Aires, de sobrenome Rossi, conta que no dia seguinte, 6 de dezembro de 1973, às 3 horas da madrugada, seis policiais argentinos que se identificaram como pertencentes à Polícia Federal realizaram uma busca na residência de Cerveira à procura de armas e documentos.

Retornaram às 11 horas da manhã acompanhados de um homem ‘que parecia chefiar’ o grupo e, pela descrição, poderia ser Sérgio Paranhos Fleury – identificado por uma cicatriz na testa. Em meio a ameaças, eles mostraram uma foto de Cerveira aos outros residentes da casa e se retiraram da mesma após darem a entender que Cerveira havia sido preso.

Fleury não usava terno branco ao arrancar sangue dos presos

Em 19 de fevereiro de 1974, Maria de Lourdes foi informada por Oldrich Hasselman, representante latino-americano do Alto Comissariado da ONU para Refugiados em Buenos Aires, que os dois homens desaparecidos na Argentina, Cerveira e João Batista, foram vistos na noite de 12 para 13 de dezembro de 1973, quando chegavam numa ambulância fortemente guardada, na Polícia do Exército (DOI-Codi), na rua Barão de Mesquita, em lamentável estado físico.

…A morte de Cerveira e de mais outros 11 desaparecidos foi confirmada pelo general Adyr Fiúza de Castro, entrevistado anonimamente pelo jornalista Antônio Henrique Lago para o jornal Folha de S.Paulo, em matéria publicada em 28/01/1979. Adyr Fiúza de Castro foi criador e primeiro chefe do Centro de Informações do I Exército…

…Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, o ex-delegado Cláudio Guerra afirmou que o delegado Sérgio Paranhos Fleury teria sido o responsável pelo sequestro de Cerveira em Buenos Aires e também por seu traslado para o Brasil – informação que Guerra teria obtido do próprio Fleury.

Guerra afirmou ainda que o corpo do major Joaquim Pires Cerveira lhe foi entregue pelo coronel Freddie Perdigão no Destacamento de Operações de Informações, à rua Barão de Mesquita, Rio de Janeiro, para incineração na usina Cambahyba, no município de Campos de Goytacazes (RJ).

Neste inferno o conheci; a ele Cerveira voltou para morrer.

(Uma testemunha ocular) faz o seguinte relato do aspecto dos dois brasileiros quando foram levados para a prisão: “Estavam amarrados juntos em posição fetal, os rostos inchados, mostrando vestígios de sangue fresco. Estavam em estado de choque, obviamente extenuados. Foram levados para o que é conhecido como celas frigoríficas individuais. São câmaras de torturas. A temperatura interna pode ser reduzida a menos de quinze graus. O sistema nervoso do prisioneiro pode também ser afetado. Isto é feito por meio de um sistema de alto-falantes, que reproduz os gritos de pessoas sofrendo torturas”.

…Diante das investigações realizadas, conclui-se que Joaquim Pires Cerveira foi sequestrado, torturado e desapareceu em ações perpetradas por agentes do Estado brasileiro, em contexto de sistemáticas violações de direitos humanos promovidas pela ditadura militar, implantada no país a partir de abril de 1964.

As circunstâncias do desaparecimento de Joaquim Pires Cerveira comprovam a coordenação entre os serviços de informações militares brasileiros e argentinos e o trabalho clandestino deles para monitorar, perseguir e sequestrar exilados políticos no Cone Sul”. (trechos do tópico referente a Joaquim Cerveira no relatório final da Comissão Nacional da Verdade).

 Assista aqui à íntegra do filme Condor (2007), dirigido por Roberto Mader, documentário vencedor do Prêmio Acie de Cinema de 2009, tanto pelo veredito do júri quanto na votação do público.

Celso Lun­ga­retti é jor­na­lista.
Blog: Náu­frago da Utopia.

 

Fonte: Correio da Cidadania

Quanto Tempo o Tempo Tem

Quanto Tempo o Tempo Tem

Nacionalidade Brasil
Vive-se em tempos diferentes. Pensando nessa estrutura, a diretora propõe a seus entrevistados uma análise sobre o tema. Como resultado o documentário oferece uma investigação sobre as principais linhas de nossa consciência sobre o passar das horas, um questionamento sobre a falta de tempo no mundo contemporâneo e uma reflexão sobre civilização e o futuro da existência humana.
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Quanto Tempo o Tempo Tem

Aula de filosofia

por Bruno Carmelo

Este documentário brasileiro se dedica a um tema tão apaixonante quanto amplo: o tempo. A questão poderia ser abordada por diversos ângulos, mas a diretora Adriana L. Dutra e o co-diretor Walter Carvalho preferem analisar o tempo pelo ponto de vista da pesquisa acadêmica. Assim, grandes filósofos, sociólogos e historiadores discorrem sobre a definição de tempo, as possibilidades de medi-lo, sua transformação social e econômica, sua influência na tecnologia e na própria definição de ser humano. Pela riqueza da abordagem, o filme funciona como uma aula complexa e bem documentada, de ritmo agradável e sucinto. Como forma de cinema, no entanto, o alcance da produção é modesto. Estamos diante de uma estrutura de talking heads, extremamente dependente dos depoimentos. Os convidados discorrem sobre seus temas de predileção diante de bibliotecas, quadros negros e estantes de livros – símbolos evidentes de erudição – enquanto transpiram sob a luz quente dos refletores. É curioso que a produção não tenha buscado uma estrutura mais original ou orgânica para as conversas.

Quando não submete a imagem ao som, Quanto Tempo o Tempo Tem busca suas próprias construções para refletir a passagem do tempo. Esta deveria ser a parte mais instigante do documentário: a busca de uma representação imagética para um elemento tão abstrato quanto o tempo. Afinal, o próprio cinema é a animação de imagens estáticas… Dutra, infelizmente, recorre ao imaginário mais gasto sobre o assunto, com cenas de carros acelerados nas autoestradas das metrópoles, pessoas saindo de estações de metrô, nuvens atravessando o céu. A trilha sonora é outro clichê, com direito a batidas de música eletrônica para imprimir ritmo.

É uma pena que o documentário não se dê ao trabalho de refletir sobre o tempo em termos imagéticos. Filmes de conceitos simples com Sem Sol, de Chris Marker, ou o curta-metragem Entre Imagens – Intervalos, de André Fratti Costa e Reinaldo Cordenuto, fornecem alternativas mais criativas para a contradição de ilustrar algo teoricamente invisível. Do jeito como é exposta, a forma do documentário rebaixa-se ao conteúdo. As cenas, mesmo complexas, são limitadas pelo discurso.

A conclusão, narrada pela própria diretora, beira a banalidade. “O mundo continua acelerado”, ela diz. Mas Quanto Tempo o Tempo Tem passa por temas e questões muito mais interessantes do que a simples constatação de um mundo veloz. O projeto iniciado em 2011 e exibido nos cinemas em 2016 tem que ser valorizado pela ambição intelectual profunda e por não rebaixar o nível da discussão para o espectador médio. Faltava o mesmo interesse, no entanto, pela própria linguagem cinematográfica.

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LA ÚLTIMA CENA ( A última ceia)

LA ÚLTIMA CENA ( A última ceia)

La última cena. Drama historico. Cuba. 1976 A fines del siglo XVIII, en una plantación de caña de azúcar, el dueño, un conde, al más puro estilo europeo, en un acto de expiación, reúne a 12 esclavos y les lava los pies el día jueves santo. Luego los invita a cenar a solas con él, momento en que aprovecha para hablarles del sacrificio de Cristo y de su acto de amor hacia los hombres.

Los esclavos, bebidos, entran en confianza y comienzan a señalarle sus inquietudes sobre su condición y el malestar que les genera la violencia de Manuel, el capataz. El resto es una epica sublevacion de esclavos y su consecuente persecusion y aniquilamiento.

Dirigida por Tomás Gutiérrez Alea y producida por el Instituto Cubano del Arte e Industria Cinematográficos (ICAIC), basada en “El ingenio”, del historiador cubano Manuel Moreno. En el eleco de actores figuran: Nelson Villagra, Silvano Rey, Luis A. García, José Antonio Rodríguez, Samuel Claxton, Alfredo O’Farrill, Mario Balmaseda, Mirtha Ibarra, entre otros.