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Padre Júlio: “temo que São Paulo também passe a lidar com milícias”

Padre Júlio: “temo que São Paulo também passe a lidar com milícias”

No caso paulistano, onde a nova gestão tenta emplacar um “choque de mercado”, o aumento das tensões nas ruas é latente, seja através de mortes como do carroceiro Ricardo Nascimento ou intervenções do poder público sobre moradores de rua ou na Cracolândia. É sobre isso que entrevistamos o Padre Júlio Lancellotti, que acaba de solicitar proteção à Anistia Internacional.

“Ficamos muito espantados com uma operação de rapa no Brás na quinta-feira, na qual o funcionário da Inova ligou para o policial militar conhecido dele para reprimir a população. Minutos depois, chegaram vários policiais com doze na mão em cima do povo. Ele não chamou a polícia. Ele chamou ‘aquele’ policial”, comentou, ao explicar por que teme pela eclosão das milícias como mediadoras da vida pública da cidade, a exemplo do Rio.

Na conversa, Padre Júlio conta os motivos que o levaram a pedir proteção da ONG de Direitos Humanos, a crescente participação militar em temas corriqueiros da vida social da cidade, faz uma breve análise do início do mandato do prefeito João Dória e diz temer pelo esgarçamento completo de nossas relações sociais e políticas.

“Fica claro que ‘cidade linda’ é onde os pobres não podem morar (…) Estamos levando o povo ao limite do suportável”, resumiu o clérigo que há anos se destaca pelo seu ativismo na região central da cidade.

A entrevista completa pode ser lida a seguir.

Correio da Cidadania: O que te levou a pedir amparo da Anistia Internacional?

Padre Júlio Lancellotti: Nosso pedido de socorro e a situação difícil que vivemos se devem ao fato de considerarmos a população de rua como refugiados urbanos. Ninguém os quer, ninguém os aceita, em todos os lugares aonde vão as pessoas reclamam dos sem tetos e querem que saiam.

Aqui na Mooca, uma das regiões de maior incidência de população de rua na cidade, depois de locais como Centro e República, os moradores do bairro estão cada vez mais intolerantes. E o próprio Conselho Comunitário de Segurança propõe que não haja mais serviços de auxílio à população de rua, assim como em relação a mim, na Paróquia em que atuo.

Correio da Cidadania: Como tem sido a atuação policial na região central em relação às pessoas mais pobres ou em situação de rua?

Padre Júlio Lancellotti: Como há aumento da população de rua, o que percebemos é que não só a GCM como a própria PM tem entrado na repressão. Vamos vivendo uma violência e intolerância agudas, não só por parte das polícias, mas dos grupos privados de segurança.

Do jeito que as coisas vão, temo que passemos a ter de lidar com milícias aqui em São Paulo também.

Correio da Cidadania: Esse é um ponto nunca mencionado nas notícias e debates. Você tem indícios sobre essa questão de milícias?

Padre Júlio Lancellotti: Existem muitos acertos e grupos articulados, por exemplo, nessa Operação Delegada, ou com pessoal que está de folga e faz trabalhos como segurança particular. Há uma grande articulação entre eles, grande mesmo.

Ficamos muito espantados com uma operação de rapa no Brás na quinta-feira, na qual o funcionário da Inova ligou para o policial militar conhecido dele para reprimir a população. Minutos depois, chegaram vários policiais com doze na mão em cima do povo.

Ele não chamou a polícia. Ele chamou “aquele” policial.

Correio da Cidadania: Como você tem observado a questão social e em especial dos sem tetos no centro de São Paulo nesta transição de Haddad para Dória?

Padre Júlio Lancellotti: As coisas não mudam muito de um governo para outro. O que acontece é a interrupção de programas entre uma e outra administração, pois cada uma quer ter sua própria marca. Por isso a descontinuidade.

Mas na questão da limpeza urbana, da chamada higienização, todas as administrações agem da mesma forma. Querem e conseguem promover remoções, contam com o clamor de bairros e conselhos que querem ver as pessoas retiradas etc.

Correio da Cidadania: Você tinha dito que Haddad seria lembrado pelas ciclovias. Como analisa essa declaração em perspectiva com a atual prefeitura? E Dória, deixará qual imagem a seguir sua atuação?

Padre Júlio Lancellotti: Ainda estamos no início da gestão, mas acredito que uma das marcas que “pega” é a Cidade Linda. E fica claro que “cidade linda” é onde os pobres não podem morar.

Correio da Cidadania: O que falar da operação policial da Cracolândia, quase dois meses após sua execução? O que de fato houve de resultados?

Padre Júlio Lancellotti: Todas as operações militares na Cracolândia, como em 2012 ou 2014, dão o mesmo resultado. Todas as administrações entraram lá e tiveram, basicamente, os mesmos resultados. O fluxo continua lá, porque buscam mudar os efeitos, não as causas.

Correio da Cidadania: Indo além de São Paulo, vimos que o Rio de Janeiro triplicou sua população de rua de 2014 pra cá, mesmo no bojo dos megaeventos esportivos e toda aquela euforia em torno da pujança do país. Como você enxerga de modo geral a questão da moradia na atualidade?

Padre Júlio Lancellotti: Temos discutido muito a questão do direito de morar, mesmo que não seja o direito de propriedade, através da locação social, algo possível de se fazer, sem grande custo. Mas é preciso vontade.

A população que vive de forma precária nas cidades é imensa, a demanda por moradia é imensa e a oferta de lugares para se morar é cada vez menor. O número de despejos aumenta. Estamos levando o povo ao limite do suportável.

Correio da Cidadania: Que relação você faz entre a intervenção no centro paulistano com o atual momento político brasileiro, de um modo mais geral?

Padre Júlio Lancellotti: É bastante grave. Estamos vivendo um momento de endurecimento, retrógrado, um momento de retorno ao Estado Militar, de prestigiar aqueles que trazem a linguagem militar, do armamento e das mortes.

O Brasil passa por uma grande encruzilhada. Ou nos tornamos uma nação ou voltaremos à escravidão.

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Gabriel Brito é jornalista e editor do Correio da Cidadania.

Fonte: Correio da Cidadania

Para Chê Guevara

Para Chê Guevara

Homenagem a Che

Potiguara Lima

Podemos pensar no mundo a partir das condições de vida que são apresentadas para nos fazermos potentes em nossos ideais e em nossos sonhos. O período histórico profundamente grave em que vivemos, em que se recolocam e aprofundam toda forma de injustiça, requer que os defensores desse estado de coisas se especializem em coagir qualquer pessoa que se rebele contra os senhores do mundo e seus interesses.

É necessário nos sacudirmos e nos livrarmos a todo momento das teias da indiferença, da resignação, da intolerância, do ódio. Somos instados a nos curvar diante da potência infame daqueles que exploram nosso povo de forma brutal e querem acreditar e nos fazer acreditar que humilham nossas lutadoras e lutadores.

Nossos inimigos, aqueles que contam seu enriquecimento diário aos milhares, aos milhões, fingem se inconformar com os problemas do mundo: “quanta incompetência e ineficiência!” – não cansam de repetir os magnatas do mundo empresarial e financeiro. Ao mesmo instante em que isso é afirmado, já abocanham mais alguns milhões na sociedade transformada em cassino.

No jogo do mercado, aparentemente asséptico e quase neutro para alguns, os ganhos se dão em cima de mais miséria e sofrimento humano. E um dos principais desafios das classes dominantes é o de convencer sobre a aceitabilidade e o caráter privado do sofrimento socialmente determinado. “Se preocupe com você mesmo e cuide do seu sofrimento!”

Nestes dias, celebramos a morte de alguém que é símbolo de um tipo de existência que “diz” com a própria vida, e com a própria morte, que viver em conivência às injustiças e bajulando os reis da tirania, os heróis do capitalismo, é viver indignamente.

O exemplo de Che foi acima de tudo o de mostrar que o conforto, a adequação à ordem das agradáveis sensações bem compradas, com prazeres bem postos por consumo e por status, distorcem o real sentido da existência humana. “Essa vida” nos mostrou que é possível ampararmo-nos na indignação e que podemos sempre, cotidiana e extraordinariamente, fazermos de nossa indignação potência. Assim, e só assim, a vida se confunde com o trabalho e o sentimento de transformar e estar no mundo.

Che sabia que herdamos um mundo com muita riqueza. A humanidade aprendeu a usar de várias formas de energia, a manipular e mesmo criar diferentes materiais e conhecemos muito dos ciclos naturais. Mas todas essas conquistas, frutos de toda a evolução desde os que primeiro foram tendo a possibilidade de organizar seu papel no mundo (que nem esses humanos que conhecemos por sinal eram), estão sendo malditas por um sistema que se especializa em utilizar irracionalmente a energia e tudo o que a natureza dispõe, tendo instaurado o desperdício como necessidade e a degradação do mundo como regra. Che também percebeu que a utilização e descarte das vidas humanas, em exploração, indiferença, sofrimento e morte, também foi sempre uma necessidade crescente do capitalismo.

Nesse momento, personagens políticos prepotentes, cínicos e ignorantes ganham espaço para apresentarem saídas que radicalizam a forma dominante de tratar os problemas do mundo. Os que também concordam com o status quo, mas acham que o aprofundamento do capitalismo tem de vir com estabilidade política estão desmoralizados, e não poderia ser diferente.

Diante de um impasse histórico da envergadura do que vivemos há anseio por saídas que se propõem a ir à raiz dos problemas, legitimando ou questionando com tenacidade os problemas sociais. Com o agravamento dos conflitos de classe, estão colocadas formas de violência distintas: de um lado, aqueles que querem resolver os problemas violentando ainda mais os pobres e a natureza, criando um mundo de intolerância, medo e resignação à miséria e a toda sorte de sofrimento social; de outro, estão aqueles que se dispõem a frutificar seus anseios de justiça em toda forma de luta por direito e dignidade. Estes últimos têm aprendido que desmascarar os vigaristas bilionários e todo o seu séquito é e será a atitude mais reprovável, a violência mais inadmissível existente para as classes dominantes.

Che levou ao paroxismo a luta contra as injustiças. Compreendeu o absurdo das relações humanas de seu tempo, de nosso tempo, sugerindo e ensinando que a organização popular contra a exploração tem consequência prática e revolucionária.

Abreviar cronologicamente a vida significou para o nosso companheiro latino-americano, e símbolo de rebeldia dos povos oprimidos do mundo, preencher de vida a história. Por isso, onde há luta contra toda forma de injustiça, Che vive!

Potiguara Lima é educador.

Fonte: Correio da Cidadania

Mais Che

Che: economia e revolução

Caso Rafael Braga: e o tal Estado de Direito?

Caso Rafael Braga: e o tal Estado de Direito?

Os protestos de 2013 e 2014 fizeram história no país e até hoje ainda não foram completamente compreendidos. Um dos ruídos que torna esta compreensão mais difícil é o fato de restarem poucos lampejos daquele momento pelas ruas do país. Aquela revolta que tomou o Brasil de assalto com ideias nada convencionais parece ter dado lugar a uma retomada da grosseira bipolaridade político-partidária que se expressa nas ruas através dos chiliques online e off-line, de “coxinhas” e “petralhas”, à época abraçados em nome da Copa do Mundo.

Entre todos os presos e perseguidos daqueles protestos, de diversas cores e condições sociais, apenas um permanece encarcerado – e mais recentemente, adoecido. Rafael Braga: negro e morador de rua.

Braga foi preso no Rio de Janeiro durante um protesto em 20 de junho de 2013 por um crime inexistente: portar Cândida e Pinho Sol. Na delegacia, os policiais apresentaram estas garrafas de plástico com alguns pedaços de pano e alegaram que Braga estaria preparando coquetéis molotov. O jovem sequer participava da manifestação e, mesmo que participasse, é importante dizer que coquetéis molotov não são feitos de garrafas de plástico, afinal, é a quebra da garrafa de vidro, espalhando o material inflamável que causa o efeito deste armamento caseiro. Até mesmo o laudo do esquadrão antibombas da Polícia Civil afirmou que eram “ínfimas” as possibilidades de se produzir um coquetel molotov com o que o jovem de então 25 anos portava. E desde então sua vida é marcada por idas e vindas do sistema penitenciário, armações e perseguições.

Condenado a cerca de 5 anos de prisão ainda em 2013, Braga teve seus recursos negados por diversas vezes, até que em outubro de 2014 conseguiu uma progressão para regime semiaberto e um emprego em escritório de advocacia, mas esta melhora de condição não durou muito. Após aparecer em uma foto na internet ao lado de uma pichação política, a justiça determinou que ele voltasse à prisão.

Em dezembro de 2015, Rafael Braga conquistou nova progressão para um regime aberto e foi morar com a mãe na região da Vila Cruzeiro, na capital fluminense. Novamente, durou pouco. No mês seguinte foi detido por policiais militares, que, segundo a defesa do jovem, o torturaram e até ameaçaram de estupro, para que ele se declarasse como traficante de drogas.

“Durante os meses de abril, maio e junho de 2016, ocorreu a Audiência de Instrução, dividida em três dias. Nesses dias foram ouvidos os PMs que abordaram o Rafael, testemunhas de defesa e o próprio Rafael. Durante os depoimentos, por diversas vezes os PMs entraram em contradição entre si e com o depoimento que haviam dado na delegacia no momento da prisão. O DDH pediu durante essas audiências 5 diligências: GPS da tornozeleira (que Rafael tinha de usar durante o regime aberto); nome do engenheiro e da empresa de engenharia aos quais, segundo os PMs, eles estavam fazendo escolta na favela no dia; imagens da câmera externa da viatura; imagens da câmera interna da viatura; e imagens da câmera da UPP. O juiz responsável negou todas as diligências e enviou o caso ao Ministério Público, onde o processo se encontrava aguardando as alegações finais de defesa e acusação”, relata a página Libertem Rafael Braga, administrada por simpatizantes de sua causa e defensores dos direitos humanos.

Pois bem, no dia 20 de abril deste ano, Rafael foi condenado a 11 anos e três meses de prisão pelo juiz Ricardo Coronha Pinheiro por tráfico de drogas e associação ao tráfico. Como “tráfico” entenda-se algumas gramas de cocaína e maconha meticulosamente encontradas com ele naquele infeliz 12 de janeiro na Vila Cruzeiro, um fato que gera enorme discussão, dado o histórico de montagens e armações nesta saga de criminalização do jovem.

Manifestação pela libertação de Rafael Braga

Em resposta a essa situação, quatro dias após a última condenação, alguns movimentos sociais, em especial setores do movimento negro de São Paulo e grupos que discutem questões relacionadas a segurança pública e sistema prisional, organizaram em São Paulo uma manifestação para pedir a libertação imediata de Rafael.

“Como podemos ver um avião com centenas de quilos de pasta base não ter dono e uma porçãozinha pequena de droga como a que implantaram no Rafael Braga fazer o juiz vê-lo como traficante? Só o racismo explica uma coisa dessa. Isso é inaceitável”, desabafou Débora Silva, militante das Mães de Maio – grupo de mães que reivindicam verdade e justiça para os casos dos seus filhos assassinados em 2006 por policiais militares em São Paulo, quando da eclosão do histórico confronto entre o PCC e o Estado.

Com cerca de 500 pessoas, os manifestantes marcharam naquela noite de abril do vão do MASP até o escritório da Presidência da República em SP – próximo da esquina da Avenida Paulista com a rua Augusta. A caminhada de poucas quadras levou cerca de duas horas e meia para ser realizada.

Luka Franca, da Marcha das Mulheres Negras de São Paulo, afirmou que a sentença de Rafael Braga foi um “baque gigantesco”. “O movimento já vinha acompanhando o caso do Rafael Braga desde 2013 e quando sai essa sentença e você olha para toda a história, pode ver o quanto isto é uma perseguição. Ele estava fora da cadeia, com um conselheiro, eles sabiam onde ele estava e montaram uma cilada para o Rafael. E nisso veio o juiz e lhe deu uma sentença de 11 anos sem lembrar que o crime que ele fora condenado pela primeira vez é um crime inexistente. Ou seja, é uma sequência de absurdos que só tem uma explicação: o sistema racista está nos dizendo aos negros onde é o nosso lugar se estivermos na hora errada no lugar errado ou se estivermos usando a nossa voz para falar alguma coisa que esse sistema não quer que seja dita”, declarou.

Genocídio e encarceramento em massa

Luka Franca explica que após este momento de soltura e domicílio junto da mãe, vieram “sucessivas armações”. Considera que há forte perseguição ao rapaz e ao povo negro de forma geral.

“Tem uma coisa simbólica aí. Nessa semana que saiu a sentença do Rafael fazem algumas semanas que tivemos três mortes de meninas negras e periféricas no Rio de Janeiro, atingidas por balas perdidas que saíram de armas policiais. Isso diz muito sobre o Brasil. O nosso país ainda não soube enfrentar com responsabilidade a questão do racismo, ficou refém do mito da democracia racial, e não vem enfrentando essa questão, apenas recrudescendo. É o plano da Casa Grande: nos prenderam e mataram lá atrás e continuam prendendo e matando hoje”, avalia Luka Franca.

Débora, das Mães de Maio, relata a atividade de sua organização em torno deste caso e as dificuldades de Adriana, mãe de Rafael.

“Conheço a mãe do Rafael através da campanha pela liberdade dele, desde que foi preso nas manifestações de 2013. Estivemos na Cinelândia no Rio de Janeiro com ela e a dissemos que estamos lado a lado nessa luta. O filho dela também é meu filho. Ela se emocionou com isso e o pessoal do Rio está fazendo uma campanha para arrecadar doações para ela, pois está numa situação muito ruim, não consegue nem trabalhar devido ao que está acontecendo com o filho. Adriana é como se fosse uma irmã pra mim, é mais uma mãe vítima desse sistema opressor que é o judiciário”, afirmou.

Débora Silva lamenta a condição de fé pública que gozam agentes da PM e avalia que apenas uma reforma no judiciário pode trazer alguma solução ao que hoje é de conhecimento público como encarceramento em massa da juventude negra e periférica. “Se o Judiciário tivesse um outro olhar e não aceitasse que a PM fosse testemunha de si mesma não teríamos tantas cadeias e cemitérios abarrotados de jovens. A postura do Judiciário precisa mudar, a reforma do judiciário é necessária para o bem da nação, pois o judiciário não está cumprindo seu papel, está fazendo apenas o peso da balança; e a balança só pende para um lado, que é contra os pobres e negros das favelas e periferias”, concluiu.

Segundo apuração dos jornalistas Flávio Costa e Paula Bianchi, para o portal UOL, há um “massacre silencioso” acontecendo nos presídios do estado do Rio. Isso porque entre primeiro de janeiro de 2015 e primeiro de agosto deste ano, morreram 517 presos vítimas de doenças tratáveis, enquanto um número 14 vezes menor, 37 presos, foram mortos dentro dos presídios em decorrência de violência física direta. O levantamento dá conta das 58 unidades prisionais presentes no Estado fluminense. A tuberculose e a AIDS, segundo a mesma apuração, são as principais doenças causadoras deste “massacre silencioso”.

E é neste contexto que recebemos a notícia de que Rafael Braga foi internado na última quinta-feira, 17 de agosto de 2017, com suspeita de tuberculose na Unidade de Pronto Atendimento de Bangu sem que sua defesa tenha tido, até agora, qualquer acesso ao laudo médico.

Neste momento, além de recorrer da sentença de 20 de abril, ratificada no último dia 8 de agosto pela Primeira Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) com a negação de um habeas corpus, a defesa de Braga ainda tenta uma transferência para um hospital onde possa ter acesso ao cliente e fazer com que o acesso de Braga aos devidos cuidados médicos seja garantido.

O caso de Rafael Braga é emblemático e coloca em dúvida a existência da democracia e do Estado de Direito – tão lembrados em certas ocasiões e esquecidos em outras – no Brasil. No momento em que pelo menos três senadores tiveram propriedades suas ligadas ao tráfico de grande escala e nada respondem na justiça, parece não restar dúvida sobre o “caráter” desta República e sua seletividade no cumprimento e na garantia de direitos supostamente universais.

DEPUTADOS PAULISTAS CONTRA OS TRABALHADORES

DEPUTADOS PAULISTAS CONTRA OS TRABALHADORES

“A reforma trabalhista muda pontos da CLT como: férias, tipos de contrato de trabalho e demissão.

Os acordos coletivos passam a sobrepor a CLT quando se trata de jornada de trabalho, intervalo para almoço, plano de cargos e salários e funções. A consequência é que somente categorias que tem representantes sindicais fortes terão maior poder de negociação as demais sempre serão rechaçadas pelos patrões. -As empresas poderão impor jornadas mais longas e intervalos menores para o almoço e ignorar o plano de cargos salários e funções especialmente em tempos de crise e desemprego.

– O tempo gasto até o trabalho deixa de ser contado como parte da jornada quando a empresa fornece transporte aos empregados: o tempo que o motorista e o cobrador gastam para recolher os ônibus não será computado como jornada de trabalho. –

 Na jornada parcial as empresas poderão contratar funcionários para trabalhar por um tempo menor: 30 horas semanais, por exemplo, e pagar um salário menor.

– A jornada de 12 horas e 36 de descanso agora limitada a algumas categorias profissionais está regulamentada e pode ser adotada sem acordo coletivo por qualquer categoria profissional.

-Negociação do banco de horas pode ser diretamente entre trabalhador e empresa sem acordo coletivo, nesse caso o trabalhador levará a pior no poder de barganha.

 – As férias poderão ser parceladas em até três vezes e não poderão começar a dos dias de feriados e finais de semana.

– O trabalhador pode prestar serviço como autônomo sem que isso configure vínculo empregatício e ainda recebendo menos.

– A dispensa de mulheres de atividades que ofereçam risco precisará ser comprovada por atestados médicos que comprovem que o local apresenta insalubridade colocando em risco sua saúde ou do bebê.

 – A rescisão não precisará mais ser homologada pelos sindicatos e eventuais erros podem passar despercebidos pelos trabalhadores e as empresas poderão impor negociações pagando apenas a metade dos direitos dos trabalhadores na demissão negociada.

 – O imposto sindical passa a ser optativo e não obrigatório para o trabalhador.

– Renda máxima para receber justiça gratuita sobe de dois salários mínimos (R$ 1.874) para 40% do teto do INSS (R$ 2.212) dificulta o acesso do trabalhador à justiça sem afetar o seu sustento e o de sua família. De acordo com o IBGE em abril o Brasil bateu recorde de desempregados: 14,2 milhões de desempregados que representa 13,7% da população brasileira. É uma situação extremamente vulnerável e a reforma proposta dará oportunidade ainda maior à exploração dos trabalhadores que principalmente por conta do desemprego vão ser obrigados a aceitar qualquer condição de trabalho para garantir a sua sobrevivência e de sua família.

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Marcos Antônio Coutinho

Presidente do Instituto Renovação Sindical.

Diretor Executivo Secretário de Manutenção

Sindicato dos Motoristas, Cobradores e Trabalhadores em Transporte Rodoviário Urbano de São Paulo

Eis a lista dos deputados paulistas que votaram a favor da reforma trabalhista que retira direitos dos trabalhadores e proporciona maior exploração por parte dos patrões

Eles mentem dizendo que a reforma vai modernizar as leis trabalhistas.

PSDB

ADÉRMIS MARINI, BRUNA FURLAN, CARLOS SAMPAIO, EDUARDO CURY, LOBBE NETO, JOÃO PAULO PAPA, IZAQUE SILVA, MARA GABRILLI, MIGUEL HADDAD, RICARDO TRIPOLI, SÍLVIO TORRES, VANDERLEI MACRIS E VÍTOR LIPPI

PMDB

Baleia Rossi,

PPS

ALEX MANENTE E POLLYANA GAMA

DEM

ALEXANDRE LEITE, ELI CORRÊA FILHO, JORGE TADEU MUDALEN, MARCELO AGUIAR E MISSIONÁRIO JOSÉ OLÍMPIO,

PRB

ANTONIO BULHÕES, BETO MANSUR, CELSO RUSSOMANO, MARCELO SQUASSONI, ROBERTO ALVES E VINÍCIUS CARVALHO

PV

ANTONIO CARLOS MENDES THAMES E EVANDRO GUSSI

PR

CAPITÃO AUGUSTO, MÁRCIO ALVINO, MIGUEL LOMBARDI E MILTON MONTI

PSC

EDUARDO BOLSONARO, GILBERTO NASCIMENTO E PR, MARCO FELICIANO

PSD

GOULART, JEFFERSON CAMPOS, HERCULANO PASSOS E WALTER IHOSHI

PP

FAUSTO PINATO, RICARDO IZAR E PAULO MALUF

PSB

LUIS LAURO FILHO

PTN

RENATA ABREU

PTB

NELSON MARQUEZELLI

GREVE GERAL CONTRA AS REFORMAS DE TEMER

GREVE GERAL CONTRA AS REFORMAS DE TEMER – 30 DE JUNHO (SEXTA-FEIRA)

VAMOS MOSTRAR A ELES NOSSA FORÇA

TODOS OS TRABALHADORES ESTÃO CONVOCADOS A PARTICIPAR DA DEFESA DOS DIREITOS PREVIDENCIÁRIOS E TRABALHISTAS.

SENADORES E DEPUTADOS TRAIDORES QUEREM NOS ESCRAVIZAR.
SOMOS ATACADOS POR BANDIDOS.
TEMOS QUE NOS DEFENDER…
A GREVE É UMA PODEROSA ARMA QUE TEMOS…

VAMOS PRAS RUAS MANIFESTAR NOSSA INDIGNAÇÃO OU…

NÓS, NOSSOS FAMILIARES, NOSSOS AMIGOS ESTÃO SOB AMEAÇA DE TRABALHAR ATÉ MORRER SEM SE APOSENTAR, SEM PODER USUFRUIR DA NOSSA JUSTA APOSENTADORIA…
VAMOS OCUPAR A PAULISTA PARA BARRAR ESTAS MUDANÇAS QUE NOS PREJUDICAM.
SE FORMOS PRA LUTA, ELES SE ACOVARDAM E DESISTEM.

  • Não vá trabalhar;
  • Fale com seus familiares, amigos e vizinhos sobre a greve geral;
  • Compartilhe sobre a greve no Facebook e Twitter;
  • Não faça compras no mercado, farmácias, açougues ou qualquer tipo de comércio;
  • Não marque consultas médicas;
  • Não vá ao banco, lotéricas e não pague nenhuma conta;
  • Não abasteça seu carro;
  • Não vá a academia ou clube;
  • Não vá a escola, faculdade ou qualquer curso.