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Aos companheiros educadores

Aos companheiros educadores

Caros companheiros,

Estamos vivendo, sem dúvida, uma das piores fases de nossas vidas. O Brasil está passando por uma fase extremamente complicada. Provavelmente , é uma fase muito similar aos Anos de Chumbo, aos Anos de Ditadura. Coisas acontecem e não ficamos sabendo. Afinal, não somos detentores de poderes que nos permitam conhecer tudo. Infelizmente, algumas coisas nunca saberemos. As pessoas que regem esta nação, nossos estados e nossas cidades estão tentando e muitas vezes conseguindo subtrair nossos direitos. Estão atacando, ferindo e até matando quem se coloca como obstáculos às suas intenções.

Em Brasília, deputados e senadores cafajestes tramam aprovar medidas que destroem nossos direitos trabalhistas e nossos direitos previdenciários principalmente. Reúnem-se diariamente para combinar as aprovações. E estão conseguindo. São poucos os que se colocam lá em nossa defesa. Não preciso dizer que PMDB e PSDB coordenam esses crimes. O golpe dado na nossa democracia colocou no governo o partido derrotado. Eles têm votado e aprovado o furto nos nossos direitos. O TSF e o TSE estão aprovando também o golpe, na medida em que conflitam sobre as denúncias e denunciados. Vale lembrar que denúncia não é condenação. Entretanto, vemos que existe parcialidade na nossa Justiça. Muitos denunciados são tomados como culpados. Culpados notórios e comprovados são absolvidos. Não quero aqui citar nominalmente para não ocupar todo meu tempo.

O TSE que agora julga a chapa Dilma/Temer não é confiável. Sobre isso gostaria de indagar. Segundo notícias veiculadas na imprensa, que não é confiável também, diga-se de passagem, o processo corre por conta de propina, dinheiro ilícito na campanha da chapa. Se isso procede: Por que as outras chapas não são igualmente denunciadas e processadas? Afinal, elas também são atores do mesmo ato: propina e dinheiro ilícito nas respectivas campanhas. Se  Dilma/Temer são alvo de processo, por que as outras chapas não são? Quem e por que está protegendo as outras chapas?

Precisamos realmente nos preparar para ações mais fortes e mais objetivas em defesa dos nossos direitos. Se não nos colocarmos à frente desta luta, não são nossos inimigos que se colocarão. Temos que marchar para cima dos nossos inimigos. É preciso mais do que nos colocarmos nas ruas para chamar a atenção.

Aqui no estado de São Paulo, o PSDB vem destruindo tudo há tempos. Destrói a Educação, a Saúde e tudo que pode. Aqui em São Paulo, na cidade, temos um grande inimigo, João Dória. Ele vem tentando implementar sua política de destruição e ainda fazendo propaganda enganosa. Reduz recursos a pretexto de diminuição de arrecadação e quer privatizar nossos patrimônios. A cidade de São Paulo é o terceiro maior arrecadador, só perde para São Paulo, o estado e o Brasil. Mesmo que haja queda, ainda sim haverá muitos recursos para distribuir entre as secretarias municipais. Não se justifica então essa diminuição. São Paulo, a cidade, é rica e tem muitos recursos financeiros para aplicar em melhorias. Por que ele diminui recursos para a Educação? Para onde vão os recursos que ele deveria aplicar na Educação?

Desde o início desta péssima gestão, as escolas estão recebendo menos recursos, as crianças não recebem o leite, foram retirados alunos do TEG, o material escolar é escasso,somos orientados a economizar recursos materiais, escolas ficam sem lâmpadas, sem material de trabalho… Por que isto está acontecendo? Por que estamos aceitando isto? Por que estamos deixando-o fazer tudo isto?

Estamos sendo imbecis há muito tempo. Estamos permitindo ao PSDB destruir tudo que conquistamos com longas lutas. Estamos sendo covardes porque não nos levantamos contra estes abusos. Estamos sendo coniventes com este estado de destruição porque estamos vendo tudo e ficamos parados “com cara de veado que viu caxinguelê”. Nunca nos levantamos realmente contra estas imposições deste prefeito. Nunca fizemos uma campanha de desmascaramento desta falsa administração. Ficamos restritos aos nossos guetos, a poucos rebeldes persistentes, a pouca ação de defesa da Educação da cidade de São Paulo.

Infelizmente, companheiros, somos no conjunto, muito covardes e reclamões de gabinete. Só sabemos reclamar dentro da escola entre quatro paredes, não saímos de lá para defender nosso trabalho nem reivindicar melhores condições. Ficamos restritos a aceitar apenas algumas migalhas nos nossos salários.

Deveríamos ter vergonha desta atitude,de ter medo de enfrentar esses senhores que nos causam tantas perdas. Eles mexem em leis que nos causam imensas perdas, em leis que nos prejudicam nos direitos mais fundamentais.

Como formadores de opiniões, temos de ser exemplo de luta e resistência para os nossos alunos e nossa comunidade escolar. Ao contrário, somos exemplo de covardia e submissão, pois não combatemos quem nos ataca. Isto vale para a imensa maioria de nós, educadores. Somos poucos que realmente encampamos as lutas.

As reformas trabalhistas e previdenciárias estão sendo aprovadas paulatinamente sem reagirmos. O desmonte do serviço público de São Paulo também está ocorrendo sem reagirmos.

Precisamos acordar e agir. Precisamos acordar os demais cidadãos e mobilizá-los. Temos que ter uma atuação contundente nas periferias. Elas estão indiferentes às mudanças. Temos que informá-los melhor. O sindicato tem essa obrigação e tem se mostrado omisso. Nós estamos omissos.

E agora?

Chung Mung Lung (Professor e Filósofo Paraibano)

CASA DAS CALDEIRAS DISPONIBILIZA CONTEÚDO VIRTUAL DO PROJETO MANUAL DA FAMÍLIA

O projeto Manual da Família – a difícil arte de educar no séc. XXI é um projeto da Associação Cultural Casa das Caldeiras que começou com a disponibilização de um e-book gratuito com dicas e propostas para um melhor convívio em família e consequentemente em sociedade. Agora o projeto avança e promove vivências práticas que podem ser acompanhadas virtualmente. Com o Diário do Manual, a equipe do projeto compartilha informações e conhecimentos adquiridos com as experiências realizadas com famílias distintas, professores, educadores e com agentes públicos que tratam dos temas infância, adolescência e acolhimento às famílias em situação de vulnerabilidade. O conteúdo é de fácil leitura e super interessante! Vale a pena conhecer e se inspirar para mudanças aí em seu cotidiano!

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FACULDADES e CURSOS para a PROFISSÃO DESENHISTA

Thiago Spyked, quadrinhista premiado pela obra Spectrus – Paralisia do Sono no 33º Troféu Angelo Agostini, fala sobre os possíveis cursos para qualquer um poder começar a estudar desenho e se profissionalizar. Desde os cursos de faculdade, até cursos técnicos e livres.

Sobre cursos de faculdade eu tenho um pouco de experiência e recomendo os cursos de Design ou Artes Visuais, pois são os cursos que possuem uma maior carga de estudo de desenho. Já os outros cursos técnicos ou livres eu recomendo todos que puder fazer, pois estudar é sempre uma ótima opção.

Juiz autoriza técnicas de tortura contra estudantes de ocupações

Juiz autoriza técnicas de tortura contra estudantes de ocupações

Privação de sono, restrição de alimentos, corte de água, energia elétrica e gás de cozinha. Além disso, a visitação de familiares e amigos também fica proibida.

A decisão foi do juiz Alex Costa de Oliveira, da Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal, contra os estudantes que estão ocupando a Universidade de Brasília (UnB), 13 colégios e quatro instituições federais.

Os métodos são de tortura, mas estão acontecendo atualmente no Brasil.

Segundo a determinação do juiz, “Autorizo, ainda, o uso de instrumentos sonoros contínuos, direcionados ao local da ocupação, para impedir o período de sono. Tais autorizações ficam mantidas independentemente da presença de menores no local, os quais, a bem da verdade, não podem lá permanecer desacompanhados de seus responsáveis legais”.

Assista 3 vídeos que explicam a PEC 241 em poucos minutos

AGRAVANTE DA DECISÃO DO MINISTÉRIO PÚBLICO

A Vara da Infância e Juventude (VIJ) pediu que a pasta promovesse adesocupação imediata das escolas, mesmo que a Polícia Militar precisasse usar a força para isso.

Inclusive, segundo a determinação, seria permitida a prisão em flagrante “daqueles que eventualmente comportarem-se conforme art. 330 do Código Penal”. O artigo citado se refere ao crime de desobediência a ordem legal de servidor público, com pena prevista de 15 dias a seis meses, além de multa.

Mas neste caso, a prisão de menores de idade é totalmente inconstitucional.

O QUE DIZ A UNICEF

O gerente de projetos da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), Mario Volpi, diz que a família, o Estado e a sociedade têm que respeitar a liberdade de manifestação dos jovens. “Não podemos permitir que um país como o Brasil, que foi o primeiro país, em 1989, a assinar a convenção sobre os direitos da criança agora permita, por qualquer forma ou pretexto que esses direitos sejam violados”.

Você precisa assistir o discuro desta estudante de 16 anos sobre cidadania e educação

OPINIÃO DE UM ESPECIALISTA

Eduardo Mendonça, advogado constitucionalista, afirma que “É totalmente inconstitucional que se utilize de força bruta e de técnicas de semelhança óbvia com a tortura, como impedir entrada de alimentos, contato com familiares. Todo tipo de violência institucional é vedada pela Constituição, mais ainda quanto a menores de idade, que têm proteção especial.”

A VISÃO DO SINDICATO DOS PROFESSORES (Sinpro-DF)

O diretor de políticas públicas, Gabriel Elefante, explica que atividades, como aulões preparatórios pro Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), estão sendo feitas. “Acontecem oficinas de teatro, de música, discussões sobre a PEC 241 e a MP 746 (MP do Ensino Médio)”.

Fonte: Catraca Livre

novembroazul

 

A educação vai mal. Mas o governo tem a solução: cortar recursos

A educação vai mal. Mas o governo tem a solução: cortar recursos

Leonardo Sakamoto

O ensino médio continua mal no Brasil. O Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) ficou em 3,7 (em uma escala que vai de zero a dez) quando a meta esperada era de 4,3. A nota não varia desde 2011.

Esse é o retrato de 2015, quando estudantes começaram a ocupar escolas em vários locais do país. Só a qualidade do ensino já bastaria para que paralisassem as atividades e forçassem governos municipais, estadual e federal a ouvi-los. Mas, vale lembrar, também estavam protestando contra uma reorganização escolar que não lhes fazia sentido, contra a falta de merenda decente enquanto escândalos de corrupção envolviam o dinheiro da comida escolar e a ausência de estrutura mínima para aprender.

Ao mesmo tempo, o governo Michel Temer está propondo limitar o crescimento dos gastos públicos à variação da inflação. Em outras palavras, só haverá recursos (e olhe lá) para manter tudo como está, sem aumentar o atendimento ou melhorá-lo. As áreas de saúde e educação serão profundamente afetadas caso a proposta seja aprovada pelo Congresso Nacional.

Até entendo o governo Temer querer esse tipo de medida. Afinal de contas, quem não foi eleito preocupa-se menos com o voto da população que (não) o colocou lá. Possui ouras prioridades e clientes. Mas o que dizer do povo, que depende da qualidade da educação, seja para educar seus filhos, seja para melhorar o nível educacional dos trabalhadores e da sociedade em que vivemos?

O que dizer de pessoas que enchem a boca o tempo inteiro para defender que a educação é a saída para o país e, em momentos como este, se calam e não reforçam o questionamento ao poder público?

Ou, pior: o que dizer das pessoas que reclamam quando os jovens vão às ruas para protestar contra o fechamento das escolas? Pelo contrário, bradam que ”essa molecada atrapalha o trânsito” (num lugar em que carros são mais importantes que livros e pessoas) e ”não sabe o seu lugar na sociedade” (pois deveriam voltar para o seu canto na periferia ou estar trabalhando).

O silêncio diante da limitação dos gastos públicos em educação e a raiva contra quem protesta me leva a crer que algumas ”pessoas de bem” que carregavam cartazes pedindo ”Mais Educação”, durante manifestações, queriam dizer, na verdade: ”Estou aqui fugindo de um vazio existencial enorme devido a uma alienação completa da realidade e segurar essa cartolina foi o único jeito para eu me sentir pertencente a um grupo social”.

Uma das principais funções da educação deveria ser ”produzir” seres pensantes e contestadores que podem colocar em risco a própria estrutura política e econômica montada para que tudo funcione do jeito em que está. Educar pode significar libertar ou enquadrar.

Em algumas sociedades, pessoas assim, que protestam, discutem, debatem, discordam, mudam são úteis para fazer um país crescer. Por aqui, são vistas com desconfiança, chamadas de mal-educadas e vagabundas e acusadas de serem resultado de uma educação que não deu certo. E, por isso, precisam (os jovens e a própria educação) serem colocados no cabresto.

Quando um professor reivindica melhores condições de trabalho e valorização da profissão, ouvem que “vagabundo que faz greve deveria ser demitido.”

É esquizofrênico reclamar que não há no Brasil quantidade suficiente de força de trabalho devidamente preparada para fazer frente às necessidades de inovação e produtividade e, ao mesmo tempo, chutar feito caixa de giz vazia as reivindicações de professores. Como acham que o processo de formação ocorre? Por osmose?

Quem acredita nisso também repete bobagens como ”a pessoa é pobre porque não estudou”. Pois acha que a pedagogia usada nas escolas e o conteúdo produzido são bons e atendem às demandas e anseios das novas gerações. Acredita que basta estudar para ter uma boa vida e um emprego decente e que uma educação de qualidade é alcançável a todos e todas desde o berço. E que todas as pessoas ricas e de posses conquistaram o que têm sem herança de bens, relações ou influência. Acham que todas as leis foram criadas para garantir Justiça e que só temos um problema de aplicação. Não se perguntam quem fez as leis, o porquê de terem sido feitas ou questiona quem as aplica, muito menos qual o contexto em que tudo isso ocorre.

Você comprou uma TV LED de 60 polegadas e, por isso, sente-se – finalmente – no mesmo patamar dos seus vizinhos que já tinham uma em casa. Consegue se enxergar como um cidadão como nunca antes. Justo, você trabalhou por ela e merece ter esse conforto. Mas está endividado por ter que pagar o plano de saúde mequetrefe que te deixa na mão (porque subiu um pouco na vida, não é mais ”pobre” e não quer enfrentar a fila do SUS). E, ao mesmo tempo, com a corda no pescoço pela dívida contraída com a sua faculdade caça-níqueis de qualidade duvidosa (educação básica universalizou, mas a qualidade não acompanhou). Afinal, você não tinha dinheiro para pagar um bom colégio particular e, portanto, não conseguiu entrar em uma boa universidade pública para fazer aquele sonhado curso de medicina.

Você acredita que qualidade de vida significa apenas ter acesso a eletrodomésticos, carros populares e iogurte como te fizeram crer até aqui?

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Fonte: Blog do Sakamoto