Arquivo mensais:novembro 2016

Solidariedade – Engenho Teatral apresenta: Baderna

Solidariedade – Engenho Teatral apresenta: Baderna

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Ansiedade e síndrome do pânico

Nesse vídeo, o youtuber PC Siqueira fala de sua experiência com essas doenças mentais.

God save Queen! Hail, Freddie!

God save Queen! Hail, Freddie! ( * 05/set/1946 + 24/nov/1991)

Freddie Star

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra no Brasil – 20 de novembro

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra no Brasil – 20 de novembro

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Durante mais de 3 séculos os negros foram tratados da formas mais injustas e mais desumanas possíveis pelo sistema branco de governar. Vieram ao Brasil não por vontade própria. Foram trazidos forçadamente para trabalhar, para fazer o serviço pesado que os ricos portugueses não podiam fazer, que não lhes competia por serem brancos e ricos. Foram submetidos a viagens longas e cansativas, além de serem inadequadas aos transporte digno de seres vivos. Foram arrancados de suas terras natais para trabalhar em minas e fazendas para produzirem riquezas para os brancos ricos portugueses que aqui já estavam assentados. Foram obrigados a abandonar suas terras para serem escravizados nos domínios portugueses no Brasil, lá pelos idos de 1538. E foram libertados em 1888 pela Lei Áurea. Isto oficialmente porque ainda hoje sentem na pele a escravização velada e suas consequências.

Sugiro que se leia A história da Escravidão no Brasil  para que se entenda melhor do que aqui falo. São oficialmente mais de 350 anos de desrespeito aos seus direitos humanos. São mais de três séculos e meio de condições indignas de vida, de trabalho forçado, de exploração, de maus tratos. Entretanto, são aproximadamente 478 anos de desrespeito aos negros como seres humanos, pois ainda existem pessoas que acham que eles não devem ser ressarcidos dos direitos que lhes foram negados durante estes séculos. Não se trata de dar a eles nada, e sim, de restituir-lhes o que foi tirado.

Portanto, aqueles que se colocam contra as cotas, deveriam tomar os lugares dos negros na História e sentir na pele o que eles sentiram ao longos dos 478 anos passados até o dia de hoje. Deveriam sentir para entender que inúmeras oportunidades de crescimento lhes foram tomadas, para entender que eles não são coitados nem são incapazes. Eles são pessoas que tiveram seus direitos congelados por mais de 4 séculos e que precisam ter estes direitos descongelados mesmo que negros e brancos inconscientes não concordem com esta teoria.

Quando ainda escravizados , seria óbvio e necessário que eles não se conformassem com isso e promovessem movimentos de libertação. Muitos rebelavam-se fugiam, lutavam para serem livres. Sua rebeldia e suas fugas levaram-nos a criar lugares onde pudessem refugiar-se e sentirem-se mais humanos e mais dignos de respeito. Esses lugares chamavam-se quilombos, seus moradores, quilombolas.

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra no Brasil reafirma o primeiro local de liberdade dos negros nas Américas

O Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra, resultado de mais de quarenta anos de luta do movimento negro brasileiro, comemorado no dia 20 de novembro, foi instituído oficialmente pela lei nº 12.519, de 10 de novembro de 2011, sancionada pela presidenta Dilma Rousseff. A data, em sua ideia original, significa a afirmação da história povo negro no Brasil, especialmente porque reafirma, coloca como um marco histórico a morte de Zumbi, em 1695. Ele era então o líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na região Nordeste do Brasil.

Davi Nunes

O Quilombo dos Palmares pode ser considerado o primeiro local, nas Américas, onde os negros da diáspora africana conseguiram a liberdade. Foram quase cem anos de existência no período da era colonial portuguesa no Brasil. Ele surgiu no final do século XVI e teve o seu apogeu na segunda metade do século XVII. Todo esse tempo de resistência à ordem escravocrata vigente, só foi possível devido à capacidade de organização: o quilombo era todo cercado por uma alta cerca de pau-a-pique, além da imensidade de palmeiras que o escondia, tinha três entradas protegidas por duzentos guerreiros, possuíam armas e munições, conseguiram derrotar várias vezes às expedições do governo colonial, que visavam estabelecer a sua destruição – tinham uma organização politica e social sofisticada que o fez ficar conhecido como a República dos Palmares.

Zumbi nasceu no quilombo, aproximadamente em 1655. Criança ainda foi raptado por soldados e doado ao Padre Antônio Melo. Ele o batizou com o nome Francisco e lhe ensinou português e latim. No ano de 1670, com apenas quinze anos, fugiu da paróquia e voltou ao quilombo e depois da morte do líder poderoso, Ganga-Zumba, se tornou o chefe absoluto na luta contra a sociedade escravocrata. Ele detinha grande poder espiritual, os ancestrais africanos o protegia, resistiu a várias expedições militares ao ponto do rei de Portugal escreve-lhe uma carta propondo um acordo. Não aceitou ficar sob o julgo da coroa portuguesa, queria a liberdade plena até o fim e em 20 de novembro de 1695, depois de resistir, e lutar contra várias expedições militares, ele foi morto.
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No dia da consciência negra acontecem passeatas por todo Brasil, a depender da região as pautas podem se diferenciar, porém nos últimos anos há uma em comum, o genocídio da juventude negra, impetrada por uma política de estado estruturalmente racista. O mês de novembro, principalmente depois da implantação, em 2003, da lei 10 639 que tornou obrigatório o ensino de história e cultura Africana e Afro-brasileira nas escolas de ensino Fundamental e Médio, acontece muitos eventos relacionados à negritude: palestras, seminários, lançamentos de livros, as escolas organizam gincanas temáticas com os estudantes, porém o grande problema é que isso só ocorre nesse espaço de tempo, determinado oficialmente, pois durante todo o ano a história e cultura negras são negligenciadas, invisibilizadas em um país, que apesar da sua diversidade, apresenta o branco como o padrão universal.

No entanto, vendo de outra forma também, o dia 20 significa a vitória de uma geração de intelectuais do movimento negro que disputaram a memória histórica e ganharam. Contestaram a historiografia oficial (a versão paternalista da princesa branca que libertou os escravizados por um simples decreto) contada pelos descendentes dos europeus, e ergueram um herói negro para sintetizar a trajetória de luta de mais da metade da população brasileira.

No Brasil, pelo fato da mídia de massa ser o veículo onde a elite branca transpassa as suas ideologias e exercem o controle mental sobre grande parte da população, os lideres negros, os fatos e feitos, como os de Zumbi, que ajudaram a construir o país, são propositalmente negligenciados. O racismo brasileiro trabalha sempre no silenciamento e apagamento de vozes e histórias negras. Por isso ainda boa parte da população se encontra preso aos grilhões psicológicos, mas muitos já se empoderam do conhecimento dos ancestrais, engrossam as passeatas que tomam as ruas e começam a constituir o que pode se chamar de vontade própria para se libertarem das prisões.

A liberdade a qual se comemora no dia 20 é a da luta constante, àquela que se deposita a vida para se conquistar. E é por esse propósito que as ruas ficam cheias, que as bandeiras são hasteadas, que os tambores são tocados: a força de Zumbi se estende a cada brasileiro que busca lutar por igualdade. A memória se reaviva sobre as batalhas vencidas pelos antepassados e dão alento para, no presente, continuar lutando para alcançar, de fato, a libertação.

A República dos Palmares, dentro desse contexto, é um signo ancestral importante e simboliza para os afro-brasileiros, como poderá simbolizar para qualquer negro da diáspora africana nas Américas, o lugar onde se foi vencida, já nos séculos iniciais, as primeiras batalhas em busca pela liberdade e igualdade racial no continente. Foi onde se desdobrou, primeiramente, modelos civilizatórios africanos, ou seja, uma organização cultural, político-social para se proteger da máquina escravagista que estava funcionando em pleno vapor. De certa forma, em Palmares, a África se reinventou durante quase um século livre, onde o orgulho não foi suplantado e os guerreiros foram grandes e intrépidos. Palmares é um espirito, o fogo que arde no peito em busca de justiça, sua memória revivida no Dia da Consciência Negra no Brasil, celebra um grande feito e reafirma a luta pela igualdade sociorracial, pela liberdade plena, almejada constantemente pelos negros na África e em todo continente americano.

Davi Nunes, natural de Salvador-Bahia, é um poeta e escritor negro brasileiro.

Fonte: Portal Geledés

Lou Reed e sua última reflexão

Lou Reed e sua última reflexão

 Will Hermes

Em junho de 2013, meses antes de morrer, Lou Reed sentou nos estúdios Masterdisk, em Manhattan, com os amigos e coprodutores Hal Willner e Rob Santos para trabalhar em um projeto que queria fazer havia muito tempo: remasterizar todo o seu catálogo solo lançado pelas gravadoras RCA e Arista. Reed era obcecado por áudio e, apesar da saúde frágil, ia todos os dias ao estúdio, saboreando e esmiuçando a própria obra.

“Ele ficava tão alegre ao redescobrir esses discos”, lembra Willner. “Poder estar sentado lá na sala com ele enquanto fazia isso… uau. Sentia-me a pessoa mais sortuda do mundo.”

A intenção era lançar essas remasterizações em um imenso box com 17 discos no terceiro trimestre daquele ano – só que a saúde de Reed piorou e o projeto foi suspenso.

Após a morte dele, em outubro de 2013, aos 71 anos, os arquivistas Don Fleming e Jason Stern trabalharam com a esposa do artista, Laurie Anderson, para completar o livro que acompanha o box. A obra é cheia de lembranças e fotos raras, incluindo uma que mostra Reed sorrindo e liderando um grupo vocal no show de talentos da escola. O resultado de todo esse trabalho, recém-lançado, é Lou Reed – The RCA & Arista Album Collection. Cobrindo o período de 1972 a 1986, é uma lição de como uma gravadora deve tratar o catálogo permanente de um artista. “Que bom que esperamos, porque saiu melhor”, diz Santos.

O box parece ser um prelúdio para um projeto de raridades e gravações descartadas, como o Bootleg Series, de Bob Dylan. Existe um acervo enorme de demos e canções avulsas no baú de Reed, mas não está exatamente claro quanto material há lá. Um ponto de partida pode ser a imensidão de material ao vivo inédito: Santos diz que há uma conversa sobre um box ampliado de gravações do show de 1973 que deu origem ao clássico ao vivo Rock ’n’ Roll Animal e observa que a gravadora “registrou muitos shows para [o box ao vivo de 1978] Take No Prisoners”. Também há dois álbuns ao vivo que ficaram de fora do novo box, porque Reed não os considerava propriamente parte de seu catálogo: o importado Live in Italy, de 1984, uma aparição intensa com o falecido guitarrista Robert Quine; e o caça-níqueis da gravadora Lou Reed Live, de 1975.

The RCA & Arista Album Collection, no entanto, parece ser a declaração final sobre o artista. Willner se lembra do último dia de remasterização, depois do qual ele e Reed foram ao Sirius Studios para gravar o programa de rádio New York Shu e. “Nunca tocávamos músicas dele no programa”, conta Willner. Só que, naquele dia, os dois tinham levado as gravações finalizadas para o box e a convidada do programa, Natasha Lyonne, de Orange Is the New Black, sugeriu que tocassem algumas das faixas (a atriz era muito fã de Reed, que era muito fã de OITNB). “Lou começou a dizer coisas como ‘não acredito que estamos fazendo isso enquanto estou vivo’”, diz Willner. Natasha lembra esse como “o momento mais pesado da minha vida”.

“Foi uma tarde incrivelmente emotiva”, acrescenta Willner melancolicamente. “Nunca vi alguém que quisesse tanto viver.”

Fonte: Rolling Stone