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TUOV encerra temporada de Bom Retiro Meu Amor neste fim de semana!

TUOV finaliza temporada de peça sobre o Bom Retiro!

Após enorme sucesso de público, o Teatro Popular União e Olho Vivo prorrogou temporada de estreia da peça BOM RETIRO MEU AMOR – ÓPERA SAMBA até fevereiro. Oportunidade imperdível de conhecer a nova obra deste grupo que tem 52 anos de história!

TUOV em Cena – Foto: Graciela Rodriguez

TUOV realiza últimas apresentações extras de Bom Retiro Meu Amor – Ópera Samba

De Dezembro/2018 a Janeiro/2019, o Teatro Popular União e Olho Vivo – também conhecido como TUOV – abriu as portas de sua sede para apresentar o seu novo espetáculo “Bom Retiro Meu Amor – Ópera Samba”, fruto de uma ampla pesquisa coletiva sobre o Bom Retiro, bairro popular da cidade de São Paulo que acolhe o grupo há mais de 35 anos.

Após uma temporada de estreia de muito sucesso, o TUOV acaba de anunciar uma série de apresentações extras para quem ainda não pode conhecer o mais novo trabalho deste grupo que se mantém ativo, no auge de seus 52 anos de história e resistência.

As apresentações extras da temporada de estreia de Bom Retiro Meu Amor – Ópera Samba acontecerão até 03 de fevereiro de 2019, às sextas às 21h / Sábados e Domingos às 16h30 e 19h30 (duas sessões). Com exceção do dia 03 de fevereiro (domingo) que contará com apenas uma apresentação, às 16h30.

Seguindo o método de trabalho coletivo de criação do grupo, a dramaturgia do espetáculo é resultado de um processo colaborativo realizado durante mais de dois anos por membros históricos e novos membros que se uniram ao Olho Vivo nos últimos anos. A equipe de criação foi a campo para uma imersão na história e nas sutilezas do cotidiano do Bairro Bom Retiro, um território tradicionalmente fabril, que por conta da imigração vinda de diversos países, abarca uma imensa diversidade cultural.

“O Bom Retiro é um bairro sui generis que recebeu levas de refugiados políticos e sociais desde sua fundação até os dias de hoje. Por ali passaram italianos, judeus, coreanos, bolivianos e paraguaios. O espetáculo aborda temas de acontecimentos importantes que ocorreram durante a sua existência e resistência, como a fundação do Sport Clube Corinthians Paulista e o trabalho escravo nas “Oficinas de Suor”, explica César Vieira (Idibal Pivetta), coordenador geral do grupo.  

Pesquisas bibliográficas, levantamento documental de registros históricos (jornais, fotografias recentes e antigas, livros, teses e dissertações a respeito do bairro, de sua cultura, sua história e possíveis problemáticas) serviram de base para ciclos de conversas, oficinas, debates e reflexões envolvendo o público, trabalhadores, moradores do bairro, estudantes, desempregados, pessoas comuns, artistas.

A partir de diferentes assuntos que se revelaram importantes junto ao público para o qual historicamente o grupo se reporta com seu teatro popular, alguns temas foram ganhando destaque nas vivências. São exemplos de episódios e temas geradores o incêndio ocorrido na Estação da Luz, dois dias antes do término da concessão para a companhia inglesa São Paulo Railway, em 1946; as mulheres em situação de prostituição na Rua Aimorés (no século passado) e atualmente no Parque da Luz e o trabalho análogo à escravidão que fomentaram a criação de debates e cenas.

As ações fazem parte do projeto TUOV 52 – Bom Retiro Meu Amor Ópera Samba, contemplado na 31ª Edição do Programa Municipal de Fomento ao Teatro para Cidade de São Paulo.

Sobre o TUOV – Teatro Popular União e Olho Vivo

Segundo Augusto Boal, o TUOV é um dos mais importantes coletivos de teatro popular das Américas e do mundo. Surgiu em 27 de fevereiro de 1966 e, no auge de seus 52 anos, possui em sua formação membros presentes desde a fundação como Neriney Moreira e Idibal Pivetta (nome verdadeiro do diretor da companhia, César Vieira). Além de diretor do grupo, Idibal é advogado e exerceu intensa militância no período da ditadura, engajando-se pela liberdade de perseguidos políticos e pela memória dos desaparecidos do regime militar. Esta importante luta confunde-se com a própria existência e trajetória do TUOV.

Nessas mais de cinco décadas, o grupo desenvolveu um trabalho reconhecido nacional e internacionalmente. Fazem parte de sua história apresentações gratuitas em bairros populares da grande São Paulo, em ruas, praças, escolas, igrejas, casas paroquiais, clubes esportivos de várzea e na própria sede. Sua carreira internacional vai desde os esforços pela interligação latino-americana de grupos teatrais até a repercussão de suas obras em países como França, Itália, Polônia, Portugal, Peru, Bolívia, Egito, Panamá, Nicarágua e Angola.

Um grupo que já foi visto por mais de 4 milhões de pessoas ao redor do mundo e que, no auge de seus 52 anos se reinventa para estrear sua mais nova montagem, segue na constante troca de experiências culturais com a periferia, principal mote de suas atividades. “Alicerçado nessas premissas o Olho Vivo pede passagem e continua a desfraldar as bandeiras da utopia” – finaliza César Vieira.

Ficha Técnica

Coordenação Geral: César Vieira (Idibal Pivetta), Graciela Rodriguez e Neriney Moreira|Direção Teatral: César Vieira, Rogério Tarifa|Dramaturgia: César Vieira, Mei Hua Soares, Rogério Guarapiran |Direção de Arte, Cenografia e Figurino: Graciela Rodriguez|Colaboração na Pesquisa: Luiz Alberto Barreto Leite Sanz, Walter Quaglia|Direção Musical: Rogerio Guarapiran|Coordenação Musical: Cesinha Pivetta, Rogerio Guarapiran|Elenco: Ana Elisa, Angelita Alves, Babi Pacini, Danila Gonçalves, Dante Kanenas, Edson Rocha, Flávia Sztutman, Juma Tanaka, Leandro Soussa, Lívia Loureiro, Lucas Cruz, Mei Hua Soares, Neriney Moreira, Oswaldo Ribeiro, Pedro Fraga, Rogerio Guarapiran|Músicos: Babi Pacini, Oswaldo Ribeiro, Pedro Fraga, Rogerio Guarapiran| Iluminação: Gil Teixeira|Assistência de Cenografia  e Figurino: Lívia Loureiro | Ajudantes de Cenografia e Figurino: Edson Rocha, Gilvan Xavier, Juma Tanaka, Lucimara Freitas |Treinamento de Atuação: Luís Mármora | Treinamento Vocal: Ester Freire|Colaboração na Pesquisa: Luiz Alberto Barreto Leite Sanz, Walter Quaglia|Direção de Produção: Maria Tereza Urias | Produção: Natasha Karasek | Assistência de Produção: Renê Costanny | Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini | Registro Fotográfico: Graciela Rodriguez | Registro Audiovisual: Nana Ribeiro, Pedro Cortese | Preparação Corporal: Marilda Alface | Design Gráfico: Julia Pinto

Bom Retiro Meu Amor Ópera Samba

Sinopse: Espetáculo teatral musical baseado no bairro do Bom Retiro e em gerações de imigrantes e moradores atuais (operários de tecelagens, lavadeiras, “mulheres da vida“, catadores em situação de rua, habitantes da cracolândia) que coexistem e deixam suas marcas neste território composto de grande diversidade cultural. Das travessias dos mares à chegada dos imigrantes de diversas nacionalidades. Dos africanos vindos em navios negreiros aos bolivianos “caminantes” atravessando fronteiras para desembocar nas conhecidas “oficinas de suor”.

Além da homenagem ao Bom Retiro, o espetáculo faz reverência ao ator Neriney Moreira,  no palco do Olho Vivo há 52 anos.

Quando: 01 de fevereiro de 2019 – às 21h00 (sex)

02 de fevereiro de 2019 – às 16h30 e as 19h30 (sab)

03 de fevereiro de 2019 – às 16h30

Classificação: Livre – Ingressos: Gratuitos – Duração: 60 minutos

Onde: Teatro Popular União e Olho Vivo, Rua Newton Prado, 766, Bom Retiro – São Paulo-SP

Informações: (011) 33311001 / teatropopularuniaoeolhovivo@gmail.com / www.facebook.com/tuovivo

Assessoria de Imprensa: Luciana Gandelini / Cel: 99568-8773 / lucigandelini@gmail.com

Marcelo Yuka no Papo Reto

Marcelo Yuka no Papo Reto

Raul Seixas – Dr. Pacheco

Raul Seixas – Dr. Pacheco

“Formado, reformado, engomado Num sorriso fabricado Pela escola da ilusão Tem jeito de perfeito No defeito Sem ter feito com proveito Aproveita a ocasião Dr. Pacheco, vai doutorar Dr. Pacheco, foi almoçar Do Do Do Do Do Doutor Do Do Do Do Do Doutor Pacheco Perdido, dividido, dirigido Carcomido e iludido Tem nos olhos o cifrão Disfarça na fumaça e acha graça Sem saber que a rua passa Entre a massa e o caminhão”

Reforma trabalhista limita indenização a vítimas da tragédia a 50 salários

Leonardo Sakamoto

Reforma trabalhista limita indenização a vítimas a 50 salários

Por conta de uma mudança aprovada na Reforma Trabalhista, a indenização por danos morais aos trabalhadores vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho ( MG), está limitada a 50 vezes o salário que recebiam atualmente. A regra, aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo ex-presidente Michel Temer, passou a valer em novembro de 2017. Antes, a indenização por dano moral poderia ser maior.

“É uma das maiores tragédias trabalhistas da história do país. A grande maioria das vítimas são trabalhadores que perderam suas vidas nas dependências da empresa”, afirma Ronaldo Fleury, procurador-geral do Ministério Público do Trabalho. “Mas as indenizações às famílias de todos os que estavam trabalhando na Vale estão limitadas a 50 vezes o salário deles graças à Reforma Trabalhista.

” O artigo 223-G da lei 13.467/2017, que trata da reforma, estabeleceu que haveria uma gradação para a concessão do dano moral que levaria em conta uma série de fatores com base em uma escala de gravidade. Para danos morais gravíssimos, o teto ficou em 50 salários do último salário do trabalhador. Para quem, hipoteticamente, recebia o salário mínimo (R$ 998,00), o teto seria de R$ 49.900,00.

Essa limitação é duramente criticada por sindicatos, procuradores e juízes. Em dezembro, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade 5870 contra esse teto no Supremo Tribunal Federal. A procuradora-geral da República Raquel Dodge pronunciou-se no caso a favor do pedido da Anamatra, ou seja, pela inconstitucionalidade da regra. O relator do caso é o ministro Gilmar Mendes.

“A Anamatra vinha alertando que, nos casos envolvendo acidentes de elevada gravidade, as limitações estabelecidas pela Reforma Trabalhista para as indenizações extrapatrimoniais gerariam extrema injustiça. Com esse horrível quadro de Brumadinho, a reforma passa a representar um contexto de iniquidade às famílias que pretendam reclamar, em juízo, pelos óbvios danos morais decorrentes da morte de seus entes queridos”, afirma o presidente da Anamatra, Guilherme Feliciano. Segundo ele, a regra fere o princípio da dignidade humana, a independência do magistrado para fixar indenizações em relação a casos concretos e a isonomia, por medir as pessoas por seu salário.

Guilherme lembra que os moradores de áreas atingidas pela onda de rejeitos da barragem podem reclamar na Justiça comum e não contam com limite para as indenizações. Já os que trabalhavam para a Vale, alcançados pela mesma tragédia, irão à Justiça do Trabalho, e terão que brigar com esse teto. “Você coloca um preço na vida. O sofrimento de perder um parente custa no máximo esse valor. Isso é complicado até pelo caráter pedagógico para a empresa. Uma das funções do dano moral é que, sem causar enriquecimento ilícito, seja pedagógico para que o empregador nunca mais volte a causá-lo”, explica Ivandick Rodrigues, professor de Direito na Universidade Presbiteriana Mackenzie e advogado trabalhista.

De acordo com ele, além do dano moral, há o dano material. A família de um trabalhador morto pode pedir uma pensão mensal vitalícia sob a justificativa de que ele ou ela sustentava a casa. Esse valor vai sendo reduzido à medida em que os filhos atingem a independência econômica. O mesmo artigo da Reforma Trabalhista prevê que a indenização pelo dano moral dobre no caso de reincidência, mas apenas entre “partes idênticas”. Ou seja, poderia valer a trabalhadores atingidos pelo rompimento da barragem em Mariana que sobreviveram e, agora, estavam trabalhando em Brumadinho.

Esse teto de 50 vezes o último salário poderia ser maior se o Congresso Nacional tivesse aprovado a Medida Provisória que amenizava algumas mudanças da Reforma Trabalhista. De acordo com o professor do Mackenzie, na MP havia um dispositivo que tomava como base para o teto não o salário do trabalhador, mas o limite dos benefícios da Previdência Social, ou seja, R$ 5.645,80. Nesse caso, o teto a ser pago seria de R$ 282.290,00. Isso elevaria a indenização dos trabalhadores com menor salário e reduziria aqueles com maior salário.

Mas o mais importante: o texto da Medida Provisória afirmava que os parâmetros, inclusive dos 50 salários, “não se aplicam aos danos extrapatrimoniais decorrentes de morte”. Ou seja, caso ela estivesse vigente, os magistrados que analisassem pedidos de famílias dos trabalhadores mortos não encontrariam essa limitação.

Para acelerar o processo de aprovação da Reforma Trabalhista, o Senado Federal abriu mão de sua função de casa revisora passando o texto que veio da Câmara sem modificações. Se houvesse mudanças, o projeto teria que voltar para a análise dos deputados federais. A justificativa é de que um acordo havia sido feito com Michel Temer para que alterações que amenizariam a reforma seriam encaminhadas vida Medida Provisória. O problema é que, apesar de proposta, ela acabou caducando porque a Câmara não a analisou a tempo.

Tragédia humana, ambiental e trabalhista

dia humana, ambiental e trabalhista Com dezenas de mortos confirmados e mais de 200 desaparecidos, o rompimento da barragem da Vale, em Brumadinho (MG), deve se configurar como uma das maiores tragédias trabalhistas do país. Ao que tudo indica, a maioria dos mortos serão de empregados da empresa ou de suas terceirizadas, cuja saúde e segurança estavam sob responsabilidade direta da mineradora.

“Há uma tragédia que envolve o meio ambiente natural, mas há também uma relacionada ao meio ambiente do trabalho”, explica o presidente da Anamatra. “A despeito das responsabilidades criminais a serem apuradas, esse evento configurou um dos maiores e mais graves acidentes de trabalho do país. Portanto, há uma responsabilidade trabalhista que deve (ser) investigada e configurada.

” A queda de um avião ou o incêndio em uma casa de shows também envolvem questões trabalhistas, mas essa dimensão acaba esquecida pelo fato do número de vítimas que estavam trabalhando no momento dessas tragédias ser pequeno em relação ao total. Em Brumadinho, ocorreu o inverso.

“Quando é feito um plano de contingenciamento e de emergência, deve-se calcular qual o curso da lama em caso de rompimento. Se foi bem feito, mostraria que esse curso passava exatamente onde estava o refeitório e a administração. Não há duvida que houve negligência da empresa”, afirma Fleury.

De acordo com o procurador-geral do Trabalho, “o MPT adotará medida judiciais como adotou no caso da Samarco [responsável pela tragédia de Mariana, que tem a Vale como um das controladoras], ainda pendente de julgamento”. Ele informa ter criado um grupo para agilizar medidas de correção e responsabilização.

“Essa tragédia demonstra a precariedade das condições de trabalho a que estão expostos os trabalhadores no Brasil e a imprescindibilidade dos órgãos de defesa dos direitos sociais.” Em nota, a Procuradoria-Geral do Trabalho afirmou que foram demandadas medidas preventivas após o caso de Mariana que poderiam ter ajudado a evitar essa nova tragédia, mas que a empresa não as atendeu, entre elas, a verificação da estabilidade da mina, condições de segurança do trabalho e realização de estudos e projetos exigidos pelos órgãos fiscalizadores. Por conta disso, foi proposta uma ação civil pública, em outubro de 2017, que ainda se encontra em análise pela Justiça.

Um trabalhador da mineração que perdeu a filha em Brumadinho e pediu para não ser identificado afirmou que ela vivia com medo, mas não tinha alternativa de emprego na região, então continuava trabalhando.

“É certo que virão demandas por reparações de danos materiais e morais atinentes a trabalhadores diretos e terceirizados, e que deverão ser julgadas pela Justiça do Trabalho”, afirma o presidente da Anamatra. “Se as reparações de danos viessem aos moldes das deferidas nos Estados Unidos, para usar uma comparação recorrente, seriam bilionárias.”

Fonte: Blog do Sakamoto

Zeca Baleiro – O parque de Juraci

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