Arquivo da categoria: Direitos Humanos

Lutar por justiça é nosso presente para quem está preso injustamente. Confira 6º Mutirão Lula Livre

Lutar por justiça é nosso presente para quem está preso injustamente. Confira 6º Mutirão Lula Livre

Brasileiros em todo o país vão às ruas neste fim de semana, durante o 6º Mutirão Lula Livre, para exigir a anulação das condenações do ex-presidente. Esta edição marca a luta na mesma data em que ex-presidente comemora seu 74º aniversário e completa quase 600 dias como preso político em Curitiba.

Confira as atividades e baixe aqui os materiais para o mutirão:

Porto Alegre: Atividade na Orla com parabéns – Dia 27, às 15h na Orla do Guaíba

Curitiba – Grande Ato politico com atividades culturais e políticas na Vigília. 
Almoço no bar da Gilda com caminhada pela boca maldita, dia 26/ 10, às 16 horas

Florianópolis – Festival Lula Livre, no dia 27.10 na Praça da Igreja Matriz

São Paulo – Panfletagem em frente ao Theatro Municipal no dia 25/10 
Coleta de Assinaturas na Avenida Paulista no dia 27/10 – a partir das 14h 
Almoço de Aniversário do Lula no Armazém no dia 27/10 – a partir das 13h 
#ParabénsLula na plenária da Juventude do MTST 26/10

PUC – SP – Banca Lula Livre para coleta de assinaturas, no dia 24, das 18 às 20h na entrada da Monte Alegre .

Quarteirão da Saúde – no Hospital das Clínicas, no dia 24, das 12 às 14hs

Cidade Tiradentes – Panfletagem e coleta de assinaturas no Terminal (em frente ao Extra) à partir das 15 horas, no dia 25/10

Vila Maria – Panfletagem e coleta de assinaturas na Praça Santo Eduardo, das 10 às 13h, no dia 26/10


Brasilândia – Panfletagem e coleta de assinaturas no Largo do Japonês, próximo ao Terminal Cachoeirinha, das 10 às 13h, no dia 26/10.


Pirituba – Panfletagem e coleta de assinturas na Feira do Jardim Nardini à partir das 10h, no dia 26/10.

Centro de São Paulo – Panfletagem e coleta de assinaturas na Feira do Glicério à partir das 11 horas, no dia 27/10


Campo Limpo – Panfletagem e coleta de assinaturas Estação Capão Redondo as 10 horas, no dia 27/10.


Tucuruvi – Panfletagem e coleta de assinaturas Praça Jaçanã, das 10 as 13h, no dia 27/10


V. Prudente – Panfletagem e coleta de assinaturas Comunidade Rosa Luxemburgo (Coral) as 10h, no dia 27/10

Diadema– Atividade na Praça da Moça, no dia 27/10, as 15 horas.

Ato em São Bernardo do Campo no dia 26/10, no Partido dos Trabalhadores

Ribeirão Preto – Gravação do Clipe de Aniversário do Lula, no dia: 27 (domingo), às 10h. Local: Av. Santa Luzia, 120

Itanhaém – Faixaço Lula Livre+ Feliz Aniversário Lula + Diálogo com a População no bairro Loty , no dia 27/10, das 10h as 13h

Lorena – Encontro de Mulheres do Vale do Paraíba com bolo e Parabéns ao Presidente Lula com piquenique, sarau e cantoria no Parque da Cidade.

São José dos Campos – Aniversário de Lula / Lula Day, no dia 27 outubro, a partir das 16h. Local: Rua Pedro de Toledo (Vila Adyana)

CARAGUATATUBA – Aniversário do Presidente Lula, no dia 25/10 – Sexta Feira, 19h. Local: Subsede Apeoesp
Avenida Rio Grande do Sul, 205 – Jd Primavera, Caraguatatuba – SP

PIRACICABA – Mutirão Lula Livre, no dia 26.10, às 9 horas
Local: Terminal Central de Integração – Bairro 010, Av. Armando de Salles Oliveira, 2001 – Centro.

JACAREÍ – Piquenique com cantoria e sarau poético, no dia 27.10, a partir 15h no Parque da Cidade de Jacareí

JUNDIAÍ – Mutirão de Aniversário Lula Livre, no dia 26.10 , às 9h
Local: Calçadão do Centro – Sem Frente ao Santander Jundiaí
Ato no Ministério Público Federal de Jundiaí no dia 29.10, ás, 12:30h
Local: Ministério Público Federal de Jundiaí
Boa Noite Presidente Lula, no dia 29.10, às 17:30h
Local: A Confirmar
Faixaço em Itupeva no dia 26/10

Campinas 
Mutirão Lula Livre dia 26/10, às 10h
Local: Em frente a Catedral – Centro de Campinas
Mutirão de Aniversário Lula Livre no dia 27.10, às, 9h
Local: Feira do Rolo, Campo Belo – Campinas/SP
Sarau Lula Livre no dia 27.10 – Domingo, 17h
Local: Rua Isolethe Augusta de Souza Aranha, 159, Centro – Campinas. 
Organização: Comitê Lula Livre CCEV

Rio de Janeiro – Atividade em Copacabana, no dia 27/10 
Atividade no Calçadão da Penha, no dia 26/10, a partir das 10h. Concentração na Rua dos Romeiros
Barra Mansa – Festival Lula Livre 

Vitória – Atividade festiva com bolo no dia 26.10, às 16h , na Praça Vermelha e no Triplex

Belo Horizonte Festival no Armazém do Campo nos dias 26 e 27/10 Muralismo + onibus para CTBA, no dia 27/10
Carreata no dia 27/10, as 10h. Ponto de encontro na Praça do Papa 

Juiz de Fora – Festival Lula Livre, no dia 26/10 a partir das 11 horas, na Praça Antonio Carlos.

Claro dos Poções – Sarau poético com bolo, no dia 27/10. Endereço: Rua José Olegário Lacerda, 365. Centro.

Sarau poético Lula Livre com parabéns e bolo.

Goiás – Aniversário Lula Livre 74 anos, no dia 27 de outubro das 9 às 13, na praça da Feira do Jardim Curitiba – Goiânia

Distrito Federal – Caravana para Curitiba
Samba Lula Livre 27/10 – a partir das 14h, no Bar do Pardim 

Salvador – Missa na Igreja do Bonfim 27/10, às 9h 
Carreata Lula livre 27/10, às 10 horas. Trajeto: de Campo Grande à Itapoã

Teixeira de Freitas – Carreata no dia 27/10, às 9 horas. Concentração: Posto Dois Irmãos – Dispersão: Praça Ulisses Guimarães.

Pernambuco:
Caetés – A estrela nasceu aqui – das 8h às 12h Celebraçao na Casa de Lula, com ato ecumênico, cultural, político. Bolo e Parabéns

Recife – Barqueata- Saída às 8 horas no Pier do Jardim Baobá – 
Atividades culturais no Armazém do Campo, a partir das 12 horas com Maracatus, pandeiros e bolo de Aniversário

Pedal Lula Livre a partir das 9 horas, Praça da Jaqueira
(acompanhará a barqueata nas pontes)
Parabéns com Bolo a partir das 16 horas na Av Rio Branco/ Marco Zero

Olinda – Blocão Parabéns Presidente, a partir das 14 horas, nas Prévias de Olinda, concentração no Barrio – Varadouro

Camaragibe – Ato Lula livre, a partir das 16 horas. Concentração na Praça de Camaragibe

No Ceará

Fortaleza – Samba da solidariedade, no dia 27/10, a partir das 13h no Cantinho Acadêmico Bar 
Lula Day Atividade no Sepertina Bar e Cultura, no dia 27/10, a partir das 16horas.


MADALENA no dia 26/10, às 18h, na Praça da Matriz

JUAZEIRO DO NORTE– no dia 26/10, àS 19h – Cinema & Poesia, Rua Santa Luzia, 1659

IGUATU atividade no dia 27, às 9h – Sede do Diretório Municipal do PT

ALTO SANTO – Café da manhã no Sindicato dos Trabalhadores Rurais, às 8 horas, no dia 26/10

EUSÉBIO – Passarela da serval(CE 040), às 8 horas, no dia 26 de outubro

Mossoró – Virada Potiguar Lula Livre., no dia 26/10. O Evento será realizado na Rua Juvenal Lamartine, no Centro, ao lado do antigo Fórum, próximo à Praça da Convivência

Natal – Bolo gigante e ato politico cultural , no dia 27/ 10, a partir das 10 horas, no Largo do Capim Macio. Ponto 7.

Paraíba – atividades com panfletagens e coleta de assinaturas nas cidades:

Mandacaru – café da manhã com Lula na Comunidade Beira Molhada, no dia 26/10, às 08h, na sede da Tribo indígena Tupinambá.

João Pessoa  – Vai ter bolo e parabéns, atrações culturais, panfletagem, Adesivagem, bandeiraço, bicicletaço e muito mais, no dia 27 de outubro, das 08h às 12h horas, na Feira de Oitizeiro.

Campina Grande  Piquinique Lula Livre, no dia 27/10, às 09 horas. 
Local: Parque da Criança – Campina Grande – PB 

Patos – 
Feijoada Lula Livre, no dia 27/10, a partir das 10 horas. 
Local: Chalé Recepções – Rua Eleonora Xavier S/N – Loteamento São Geraldo

Juarez Távora – Sorvetada Lula Livre, no dia 27/10, das 14 as 17 horas 
Local: Assentamento Margarida Maria Alves – Juarez Távora – PB

Serra Branca – Atividades panfletagens e coleta de assinaturas
Santa Rita – Atividades panfletagens e coleta de assinaturas 
Santa Luzia – Atividades panfletagens e coleta de assinaturas

Maranhão – Queima de de foguetes, palestras e muita animação em Barão de Grajaú – Maranhão, a partir das 09 horas.

Piauí –  Atividade na comunidade rutal Tocaia, no dia 27/10, às 8h30.

Alagoas – Ato no dia 26/10, das 9 às 13 horas, no Sindicato dos Bancários e debate com sobre conjuntura nacional com Luciana Caetano (aspectos econômicos) , Othoniel Pinheiro (aspectos jurídicos) e Paulão (aspectos políticos).

Amazonas – Em Figueiredo Atividade no dia 27/10, domingo, às 18 horas  na Rua Cumpúba, n 01, centro.

Atividades no exterior

FRANÇA

25/10 || FEIJOADA DO LULA

Paris
Organizado por Comité international pour la solidarité avec Lula et la défense de la démocratie
Saiba mais: facebook.com/events/1331171187052644/

ESTADOS UNIDOS

26/10 || FREE LULA RALLY PARTY

Los Angeles
Organizado por Socialism and Liberation – Los Angeles
Saiba mais: https://www.facebook.com/events/493641034550821/

26/10 || FREE LULA ART SHOW

Nova York
Organizado por Alerta-NYCBRADO -NYCVoices of Resistance e Mulheres da Resistência no Exterior
Saiba mais: facebook.com/events/2985594591515868/

FRANÇA

26/10 || LULA DAY – ESTRASBURGO

Estrasburgo
Organizado por Comitê Lula Livre – Place Strasbourg
[Mais informações em breve]

27/10 || LULA DAY

ALEMANHA
Berlim  
Organizado por Comitê Lula Livre Berlim
Saiba mais: https://www.facebook.com/events/2159207747715977/

Berlim
Organizado por Deutsche Initiative Lula Livre
Saiba mais: https://www.facebook.com/events/759973164451311/

ARGENTINA
Buenos Aires 
Organizado por Comitê Internacional Lula Livre Zona Norte de Buenos Aires
Foto no Obelisco na avenida 9 de julio, em Buenos Aires as 17 horas, no dia 27/10

BÉLGICA
Bruxelas 
Organizado por Comitê Lula Livre Bruxelas
[Mais informações em breve]

ESPANHA
Madri 
Organizado por Comité Lula Libre – Madrid
Evento: https://www.facebook.com/events/2502319533379666/

FRANÇA
Paris 
Organizado por Libérez Lula – Comité de Solidarité avec Lula et de défense de la démocratie
[Mais informações em breve]

ESTADOS UNIDOS
Nova Iorque 
Organizado por Brado NY,Alerta NYC e Mulheres da Resistência no Exterior
Evento: https://www.facebook.com/events/789027921547351/

Orlando
Organizado por Mulheres da Resistência no Exterior
Evento: https://www.facebook.com/events/2449431201995655/

ÍNDIA
Bodhgaya 
[Mais informações em breve] 

ITÁLIA
Ravena 
Organizado por Lula Day Page
Evento: https://www.facebook.com/events/2407458889572686/

Roma 
Organizado por Comitato Italiano Lula Livre
Evento: https://www.facebook.com/events/936006756779085/

Verona
Organizado por Comitê Lula Livre Verona
[Mais informações em breve] 

PORTUGAL
Coimbra
Organizado por Vozes no Mundo – Frente Pela Democracia no Brasil
Evento: https://www.facebook.com/events/1069294606757982/

REINO UNIDO
Londres 
Organizador: Comitê Lula Livre UK – Free Lula
Evento: https://www.facebook.com/events/380519882898832/

Oxford 
Organizador: Comitê Lula Livre England_Oxford – FreeLula
Evento: https://www.facebook.com/events/500775907436207/?ti=wa

Confira as atividades na página do evento clicando AQUI

Fonte: Comitê Lula Livre

Outubro Rosa

Cem dias após assassinato, Seu Luís é semente de luta no acampamento Marielle Vive

Cem dias após assassinato, Seu Luís é semente de luta no acampamento Marielle Vive

Por Charles Nisz

Publicado no Brasil de Fato:

Um homem tímido, trabalhador, prestativo, que aos 72 anos de idade realizava o sonho de voltar a morar na roça. Pai de oito filhos. Companheiro. Elogios e palavras carinhosas não faltam quando os moradores do Acampamento Marielle Vive, localizado em Valinhos (SP), falam sobre Luís Ferreira da Costa – morto há 100 dias, vítima de um atropelamento criminoso quando participava de uma manifestação pacífica.

O caso ocorreu em 18 de julho no quilômetro 7 da Estrada do Jequitibá, onde Luís e outros acampados do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) faziam um protesto pedindo água no acampamento, mas deixando o trânsito fluir e distribuindo alimentos e sementes aos motoristas – quando o vendedor Leo Luiz Ribeiro, dirigindo uma caminhonete Hylux L-200, avançou propositalmente sobre a manifestação e atingiu Luís. O assassino foi preso no mesmo dia.

Do luto à luta

Meses após o atropelamento, amigos e vizinhos de seu Luís ainda têm dificuldade em falar do episódio, ao qual se referem como “o acontecido” ou “aquele dia”.

“Estávamos entregando sachês de sementes com o que tínhamos produzido aqui. Era simbólico. Ele estava com a mão cheia de sementinha, estava indo entregar, foi a hora que aconteceu tudo aquilo”, recorda Sueli Alves Moreira, de 55 anos.

Sentada ao redor de uma mesa localizada entre o seu barraco e os de outros acampados, improvisando uma sala coletiva, ela conta que Luís costumava sentar ali para almoçarem juntos. “Era assim, como estamos aqui hoje… O duro é que não temos mais ele. A falta é muito grande”.

Assim como Marielle Franco, executada no Rio de Janeiro em 14 março de 2018, o pernambucano nascido no sertão do Cariri também foi assassinado por lutar por direitos e se tornou símbolo.

“Reunimos força e estamos mais firmes, mesmo com a ausência dele. Encontramos força nisso. Não pode ser em vão. Ele é o que inspira mais ainda nossa luta”, diz Sueli.

Legado

Criado um mês após o assassinato de Marielle, em 14 de abril de 2018, o acampamento que leva o nome da vereadora é construído coletivamente. Grande parte do que existe hoje contou com a ajuda de seu Luís, que trabalhou como pedreiro por toda a vida.

Segundo o MST, o terreno tem pouco mais de 130 hectares e abriga 2.400 pessoas, mais de mil famílias.

“Tudo tem a mão dele aqui”, afirma Aparecido Barbosa Sarmento, um dos coordenadores do núcleo de infraestrutura do acampamento.

O senhor de 67 anos relata que seu Luís chegou de mansinho e ganhou a confiança de todos do movimento. Quando as tarefas do dia chegavam ao fim, os dois costumavam tomar café perto de onde Luís cultivava uma horta.

“Hoje passamos lá e não vemos nada. Chegávamos no final de semana e sempre, a tardezinha, estávamos ali, batendo papo. Hoje é só o cachorrinho dele que nos acompanha… Agora, todo mundo cuida. Vamos andando e o cachorro vai junto. Parece até que está caçando ele”, diz Aparecido.

Além do cultivo de legumes, frutas e hortaliças que cada acampado tem em seu quintal, o Marielle Vive está organizando espaços coletivos de produção. A preparação de um sistema agrícola em forma de mandala, que receberá mais de seis mil mudas de hortaliças, 160 pés de bananeira e outras plantas nativas, é a grande prioridade do acampamento.

“Tenho certeza que se hoje [Luís] estivesse aqui, seria linha de frente da produção. Era uma peça chave que não podíamos ter perdido”, lamenta Aparecido.

“Ele jamais será esquecido. Jamais. Somos uma família. Da nossa memória ele não vai sair. Pode ver com qualquer companheiro, o primeiro nome que se grita é ‘seu Luís’. E a molecada responde: ‘presente, presente, presente’. Isso pra eles que são crianças… Tenho certeza que daqui 30 anos, se chegar e perguntar quem foi o seu Luís, eles vão saber explicar”.

Já Antônia Vieira Santos, primeira mulher a participar do núcleo de infraestrutura ao lado de Luís, o define como “um senhor jovem”. Segundo ela, Ferreira trabalhava com mais disposição do que muitos homens mais novos.

A serenidade para lidar com as adversidades do dia a dia no acampamento é uma das qualidades que Antônia mais admirava em seu companheiro. Ela afirma que no dia seguinte ao assassinato, o primeiro caminhão de água enviado pela prefeitura chegou ao acampamento.

“Seu Luís representa cada gota de água que vai pra cada um de nós aqui. Até hoje eu não consigo esquecer daquele dia. Ele nunca desistiu e nós também não vamos desistir. Somos companheiros. É um pelo outro”.

“Eu sou guerreiro”

Próximo a entrada do acampamento, há um espaço com diversas salas onde ocorrem reuniões, cirandas, aulas na modalidade Educação de Jovens e Adultos (EJA) e diversas atividades culturais.

Era lá que Luís realizava outro sonho: aprender a escrever. A professora Cícera Alves Bezerra diz que “ele era uma pessoa que realmente queria aprender, não faltava nenhum dia”.

Professora mostra o diploma de Seu Luis, que se alfabetizou depois dos 70 anos.

“Na véspera do acontecido, estávamos formando frases com as sílabas ‘gue’ e ‘gui’. Jogamos algumas palavras e ele formou a frase: ‘Eu sou guerreiro’. ‘Eu vou pra guerra’. E na outro dia veio o acontecido, o assassinato dele. Chocou muito a gente. Quando voltamos aqui pra sala, as frases ainda estavam na lousa. Foi muito emocionante”, conta a professora.

Assim como outros acampados, o idoso de 72 anos era ensinado pelo método cubano para alfabetização de adultos “Sim, eu posso”.

Na sala de aula, cenas voltam à cabeça da professora.

“Todo dia, no fim da aula, falávamos a palavra de ordem: ‘Sim, eu posso ler e escrever. Essa é uma conquista do MST’. E ele não conseguia fazer o ritmo e a gente ria muito. Quando ele estava começando a ingressar no ritmo, acabava”, diz, com um sorriso.

O pernambucano semianalfabeto não poderia imaginar que sua força e dedicação seriam eternizadas no Marielle Vive. O local que ajudou a construir e onde aprendeu a escrever seu nome passará por melhorias e se chamará Escola Popular Luís Ferreira. A inauguração está prevista para 2 de novembro, com a presença de Monica Benício, viúva de Marielle.

O objetivo é que o espaço continue a promover diversas atividades vinculadas à luta pela reforma agrária, assim como cursinhos populares, EJA, reforço escolar, aula de idiomas, ciranda infantil e oficinas.

Muito além da terra

Em um ano e seis meses de ocupação, os sem-terra conseguiram desenvolver dezenas de atividades coletivas que vão além da produção agroecológica e sem veneno. No Marielle Vive há espaço para auto-organização LGBT, auto-organização de mulheres, grupos culturais, discussões políticas e atividades lúdicas para as crianças.

Luciano Pereira da Silva, por exemplo, é um dos coordenadores da frente LGBT do acampamento. Ele se orgulha de seu barraco, construído com muito esforço desde o início da ocupação, onde há plantas e flores por todos os lados.

Seu objetivo é conseguir cultivar a terra e criar uma floricultura, para que outros acampados e pessoas de fora também possam enfeitar suas casas.

“A luta pela terra caminha junto com a luta contra a LGBTfobia, contra todos os tipos de preconceitos no acampamento, como racismo e o machismo. Estamos fazendo essa construção pra acabar mesmo. Inclusive com piadinhas de mau gosto. Queremos demolir isso aqui dentro”, diz Luciano.

A Frente de Cultura e Esporte, coordenada pelos jovens do acampamento, garante atividades para todos os moradores. A futura Escola Popular Luís Ferreira recebe aulas de músicas, aulas de capoeira e yoga. No “campinho” do acampamento, acontece o futebol.

“Aqui todo mundo entra de uma forma e sai de outra. Não estamos aqui ocupando por ocupar”, ressalta Sara Juliana, uma das coordenadoras da frente cultural.

Na opinião de Francisco Rumalt Alves, pela cultura também se fortalece a resistência. “Quando começamos a cantar música, todo mundo começa a cercar a gente, a cantar e a pular. Vemos aquela energia, todo mundo é muito bem acolhido. Isso é resistir, nunca perdemos nosso sorriso. Estamos aqui fazendo nossa luta, sendo protagonista da nossa própria história. Aqui todo dia você vai pra guerra”.

Despejo e perseguição

Os moradores do Marielle Vive enfrentaram e venceram uma primeira batalha judicial há um ano, após a suspensão de um pedido de reintegração de posse feito pelo grupo Fazenda Eldorado Empreendimentos Imobiliários, que possui um contrato de arrendamento das terras para criação de gado.

Na análise do Tribunal de Justiça, que cancelou o primeiro pedido de despejo, não houve comprovação da posse por parte dos supostos proprietários.

Com a ajuda da Defensoria Pública, o MST luta para que o terreno que abriga mais de duas mil pessoas seja destinado à reforma agrária. Patrícia Maria, uma das coordenadoras do acampamento e da direção estadual do MST em São Paulo, explica que o movimento “deu vida a um espaço que era morto”.

“Essa área era totalmente improdutiva. Não tinha nenhum vestígio de produção, nem de alimento e nem de gado. Essa área estava abandonada há mais de 20 anos”, destaca Patrícia.

A Defensoria Pública, os advogados do MST e os acampados agora enfrentam um novo pedido de reintegração de posse.

“Conseguimos uma suspensão dessa reintegração até dia 2 de dezembro. Estamos com a produção, com a organização interna e com esse processo jurídico para que o Estado reconheça que estamos em um processo justo. Está previsto na Constituição brasileira que toda terra improdutiva deve ser destinada à reforma agrária. Esperamos que o desembargador considere toda essa luta por terra das famílias e dê mais um prazo ou a permanência das famílias aqui no Marielle Vive”, explica Patrícia.

Outras dificuldades

Além da ameaça de despejo, os moradores enfrentam outros problemas. Por exemplo, os caminhões-pipa de água enviados pela prefeitura de Valinhos não atendem toda a demanda dos acampados. Há também relatos de não atendimento na rede de saúde pública da região, por não aceitarem o endereço do acampamento como residência oficial.

Há ainda uma denúncia mais grave: policiais militares e guardas municipais abordam com frequência os moradores, sem justificativa. Eles relatam que já tiveram documentos rasgados, como a carteirinha de identificação e controle do próprio acampamento.

Em agosto deste ano, o Conselho Estadual de Defesa de Direitos da Pessoa Humana (Condepe) publicou um parecer que registrou as denúncias afirmadas à reportagem do Brasil de Fato. Mesmo após o posicionamento do órgão, os abusos teriam continuado.

Na visão de Patrícia Maria, a força para que os sem-terra continuem a resistir em Valinhos é também fomentada pela esperança.

“Temos a esperança de mudança. A esperança de que as pessoas tenham direito à terra, que consigamos um dia, nesse país, fazer reforma agrária e as transformações sociais necessárias para um Brasil mais justo. A Marielle, em vários momentos, nos deu essa força. Todos nossos trabalhadores tombados… Mas o seu Luís também”, diz, entre lágrimas.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

Outubro Rosa

Com Victor Jara – Chile na Resistência

Com Victou Jara – Chile na Resistência

No céu de Santiago ecoa a voz lírica de uma misteriosa dama com texto da célebre canção de um artista popular chileno, Victor Jara, morto pela Ditadura Militar de Pinochet.

El derecho de vivir en paz!

Imagem
Foto épica de Susana Hidalgo, ao alto bandeira Mapuche, já é um ícone da história da fotografia.
Outubro Rosa

Ato por Ágatha Félix – Hoje 27/09 às 18h

Ato por Ágatha Félix – Hoje 27/09 às 18h

NÃO À VIOLÊNCIA

Em São Paulo, movimento negro organiza ato contra assassinato de Ágatha Félix

Ágatha Vitória Sales Felix, de oito anos, morava no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro

Ágatha Vitória Sales Felix morreu após ser baleada por um policial militar da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio de Janeiro

Publicado por Nataly Simões, para Alma Preta 22/09/2019 14:01

Alma Preta – Na cidade de São Paulo, entidades do movimento negro planejam para a próxima sexta-feira, 27 de setembro, um ato em protesto ao assassinato de Ágatha Vitória Sales Felix, de 8 anos, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro.

A manifestação ocorre a partir das 18h, na Avenida Paulista, em frente ao vão livre do Masp. A data foi escolhida por ser o sétimo dia do assassinato da criança.

O objetivo é manifestar repúdio às políticas de segurança pública adotadas pelo governo de Wilson Witzel. Ágatha é a quinta criança morta em função da violência no Rio de Janeiro neste ano. Para o movimento, as ações realizadas pela polícia nas favelas corroboram com o genocídio da população negra e pobre.

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, a polícia nunca matou tanto quanto em 2019. De janeiro a agosto, foram registrados 1.249 casos. A média é de cinco mortes por dia.

O assassinato

Ágatha Vitória Sales Felix morreu na noite de sexta-feira, 20 de setembro, após ser baleada quando estava dentro de uma kombi com o avô, Ailton Felix, na comunidade do Fazendinha. Ela chegou a ser levada para a UPA do Complexo do Alemão e transferida para o Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos.

De acordo com moradores, o autor do disparo seria um policial militar da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). O PM teria suspeitado de um motociclista que passava no local e o tiro acertou a criança.

Em comunicado, a Coordenadoria da UPP afirmou que abrirá um procedimento apuratório para verificar todas as circunstâncias da ação. Na manhã deste sábado, 21 de setembro, a hashtag #ACulpaÉDoWitzel se tornou um dos assuntos mais comentados do Brasil no Twitter. Moradores do Complexo Alemão, também neste sábado, realizaram uma manifestação pacífica contra a morte da criança e para pedir paz na região.

Local: MASP, Avenida Paulista
Horário: 18h
Link para mais informações 
aqui

O DESABAFO DE AVÔ DE ÁGATHAM É LUTA

Negritude Ultrajada

Negritude Ultrajada

Bastou ser negra pra ser alvo.

Bastou ser pobre, ser do Rio, Cidade Maravilhosa!

Bastou circular nas comunidades cariocas dominadas pelas milícias.

Bastou estar num banco, sentada, tranquila, passeando por aí

nas ruas não tranquilas do complexo do alemão, das comunidades sitiadas.

Bastou um tiro certeiro bandido para pegar a pequena Agatha.

Fuzil do Estado! Arma assassina!

Wilson Cretino, defensor público das chacinas,

do genocídio, da limpeza racial!

Calou-se mais uma voz preta!

Extinguiu-se mais um pequeno anjo negro!

Indignou um país, um mundo, um universo.

Esconderam-se os culpados.

Violentaram mais uma vez um corpo negro, uma comunidade preta,

uma dignidade negra pobre, quase indefesa.

Profanaram templos negros, almas negras, identidades negras.

Feriram de morte a Humanidade.

Silenciaram um sorriso negro

e levaram a reboque nossa esperança de dias melhores.

Não é surpresa!

Não é por acaso!

Não é sem querer!

É muita malvadeza!

É muito descaso!

É muito por querer!

Silenciaram um anjo negro

e roubaram junto outras felicidades.

Deflagaram um projétil fatal.

Apertaram milhões de corações.

Vazaram milhões de lágrimas de olhos incrédulos.

Não haverá mais Agatha no futuro.

Não poderá mais estudar.

Não poderá mais sonhar.

Não poderá mais transbordar alegria.

Não pode mais sorrir para encher sua casa de euforia.

Não pode mais brincar, se sujar nem levar mais bronquinhas.

Não pode mais ecoar seu canto negro nas ondas aéreas

cheias de helicópteros e metralhadoras,

nas ruas onde trafegam tanques de guerra genocida.

Querida Agatha, perdoe-nos por não saber defender quando você precisou.

Anjo Negro, desculpe-nos por abandonar você indefesa

nesse mundo perdido dos morros cariocas.

Pode ser que a dor nos encha de coragem para lutar

e não permitir que mais anjos sejam dizimados.

Tristes, mas Resistentes

Tristes, mas Resistentes

Imagem
Agatha – Bela e cheia de vida

Estamos tristes. Isso tem se tornado uma constante na nossa vida desde que o país foi golpeado por um punhado de bandidos travestidos de deputados bandidos e outros cúmplices. Era 2016. Estamos em 2019.

Desde então fomos tomados por uma insanidade coletiva. Acreditamos em mentiras, batemos palmas para bandidos e elegemos inúmeros bandidos.

Acabei de saber que uma garota foi morta por policiais no Rio de Janeiro.

Segue o link da reportagem.

Morre criança atingida por policiais de Witzel

Estamos tristes por mais este infanticídio do Estado, mas seguiremos Resistentes para que isso pare de ocorrer.