Arquivo da categoria: Politica

Acordos, partidos, economia, negocios, parcerias, subdesenvolvidos, desenvolvidos.

Bacurau, meu filho! Que que foi isso?

Bacurau, meu filho! Que que foi isso?

Tudo anda tão difícil. tão complicado, tão esquisito, tão burlesco neste mundo nosso de cada dia dos anos 2010. Nunca vimos tantas coisas ruins acontecerem ao mesmo tempo e serem transmitidas nas redes de televisão, rede sociais, rádios, jornais e internet. A bem da verdade que somos consumidores habituais de notícias ruins. Parece que só notícia ruim tem valor e pode aguçar nossa mais simples curiosidade.

Essa variedade até que interessa. Precisamos ter muitas informações e saber o que fazer com elas. Ninguém ensina. Elas estão por aí correndo atrás de nós. Temos que ter muito cuidado para não sermos engolidos por elas ou até violentados. Elas carregam um nível alto de violência e intenção destrutiva. Estamos constantemente correndo perigo. Pra quem interessa esta excitação violenta? Qual a utilidade dela?

Fui ver Bacurau. Um amiga convidou-me e aceitei. Tinha alguma informação sobre o filme. Então foi com tranquilidade que aceitei o convite. Tava mais a fim de rever minha amiga do que ver o filme embora tivesse conhecimento de que se tratava de um história bem brasileira. Mesmo assim, não tinha a mínima ideia do que veria. Não fucei muito pra não perder a graça. Foi realmente surpreendente.

A minha expectativa era ver um filme autoral com características bem brasileiras. Cheio de personagens pitorescos e um enredo menos dinâmico. Esperava algo que me chamasse mais a atenção e exigisse mais paciência para não perder os detalhes que importam. Não foi bem isso que aconteceu. Pode ser culpa minha ou do filme mesmo. Estou tentando entender a intenção do filme.

A história fala sobre um lugar que sumiu do mapa e desenvolve-se num formato esquisito. Às vezes parece um filme, outras vezes, parece um jogo. Penso que nunca vi um filme assim. Cheguei ao ponto de sugerir uma mudança. Diz respeito às partes que parece um jogo, um videogame de perseguição, destes que estão em moda ainda. Creio que nunca saem de moda. Conversando com minha amiga, eu disse que estas partes, em que ocorrem os confrontos, poderiam ter formato de desenhos. Penso que a história seja sobre um bando de um povo que deseja dominar um vilarejo eliminando o povo deste vilarejo.

Tem muita cenas de violência. Tem muito sangue e mortes. Eu me pergunto como pode um filme ser feito com tantas cenas de violência e ser tachado de normal. Eu não gosto muito de filmes cheio de cenas violentas. Entretanto, eu vejo e entendo alguns quando tem uma abordagem mais reflexiva e não se limita a exposição pela exposição.

Vejo no filme um embate entre duas forças equivalentes. De um lado, um grupo de soldados muito bem suportados para invadir e conquistar um território. Do outro, um grupo de habitantes normais de uma cidade simples, que luta de igual pra igual contra os invasores. Nesta disputa, parece-me que os invasores se sentem imensamente superiores e certos da vitória. Por outro lado, vemos um grupo de resistência que prima sobretudo por uma estratégia inteligente de defesa, que surpreende os invasores e os conduz à vitória.

Os personagens são bem peculiares. Cada um deles tem características intrigantes, muito diferentes, muito ligadas entre si. Parecem formar um time que joga por telepatia. Cada um sabe exatamente o que acontece e o que precisa fazer pra atacar e pra defender o vilarejo. Lembremos que são dois grupos adversários.

O filme em si parece uma refilmagem de histórias antigas dos tempos dos grandes “descobrimentos”, das grandes navegações. Quer dizer, uma reedição. Uma metrópole descobre um lugar cheio de riquezas e invade-o, tenta matar seus habitantes e conquistar o território. Porém, neste caso, dão-se mal, os locais vencem os invasores.

Bacurau é a antítese da História que sempre se repete. Países mais poderosos descobrem países ricos em recursos e tentam conquistá-los. Invadem seu território, exterminam suas populações e roubam suas riquezas. Não é o que ocorre no filme. Os invasores são sumariamente exterminados. Inclusive, traidores entre os locais são identificados e eliminados.

É um filme interessante, questionador da ordem e de certa forma catártico para as pessoas que se sentem desconfortáveis com a vigente ordem conservadora. Surpreendem o formato do filme pela sua dinâmica, seu enredo e seu final apoteótico invertidos. Não dá para dizer que o filme resolve nossos problemas, mas podemos dizer que ele aponta caminhos.

Coringa, o anti-herói: Por quê? Será?

Coringa, o anti-herói: Por quê? Será?

Fui ver Coringa. Fiquei impactado. Muitas coisas ali merecem menção e reflexão. Preciso ver novamente para tentar entender e responder algumas questões que surgiram durante a audiência. Houve muitos tiros, muita revolta, muitas mortes e muitos motivos para termos dúvida se o Coringa é o anti-herói ou não.

Não se pode dizer que é um filme bom ou ruim. Sua avaliação deve passar por outros símbolos de classificação. É um filme interessante. Não parece ser adequado para criança alguma e/ou adolescentes sem o mínimo de orientação e debate sobre seus significados internos e externos.

É um filme tenso, provocador, indutor e talvez perigoso. Traz muita violência, muitas inconveniências, que apesar disso, tem suas qualidades. Tem um enrendo interessante. Tem atuações bem convincentes. Tem um contexto bastante interessante para uma análise psicológica necessária sobre o ser humano, suas ações e reações, suas motivações e soluções. É muito complexo para se discutir em poucas linhas. Vou me abster de fazer isso.

Podemos dizer que inicialmente o filme tem duas partes: a primeira em que Arthur vive uma vida bastante atribulada e incômoda, mas que parece passar despercebida. Outra também atribulada, mas não tão incômoda. Arthur, um palhaço meio sem graça transforma-se num palhaço impróprio que busca redenção, o Coringa.

É um filme muito violento, principalmente nos dias de hoje, em que se propaga uma falsa ideia de que uma arma resolve o problema da violência e insegurança. Armas não são solução para as doenças sociais. Passei boa parte do filme dialogando com ele sobre diversas cenas. Falamos muito sobre a Sociedade, mas muitas vezes não nos damos conta que nós fazemos parte dela com seus problemas e tudo. Cobramos dela algo que devemos cobrar de nós mesmos.

Artur era ou não irmão bastardo de Bruce Wayne? Os documentos da adoção eram verdadeiros ou falsificados? Por que a mãe de Arthur mentiria? Thomas Wayne era um bom exemplo de pessoa?

Eu sinto que me identifiquei muito com o palhaço e seus problemas. Eu me vi em algumas situações dele semelhantes às minhas próprias. Quando eu era criança, eu ria muito. Não conseguia muito controlar o riso. Não chegavam a ser risos longos. Penso eu. Algumas situações de tristeza e constrangimento também ajudaram a me ver na pele de Arthur. Joaquin Phoenix foi muito bem no papel de protagonista.

Na história de Batman, o Coringa é seu antagonista. Todos os enredos da história colocam Batman combatendo o Coringa. Em todas, Batman defende Gotham dos ataques do vilão. Parece-me que o Coringa não quer algo mais do que vingança contra seu suposto pai, atacando seu filho Bruce.

É meio louco pensar isso. Entretanto, Arthur busca redenção. Persegue sua própria Justiça. Torna-se assim um herói da sua própria trajetória, da sua vida. Quem se identifica com ele também o vê como herói. De certa forma, ele se redime das perseguições que sofre durante sua vida.

Outubro Rosa

Outubro Rosa

Helena Ferreira – Sou puta, sou mulher

Helena Ferreira – Sou puta, sou mulher

Leia você mesmo e entenda como a indignação e o escândalo da extrema direita em torno do poema lido pela deputada Isa Penna não passam de um misto de falso moralismo, antifeminismo – e burrice.

Sou puta, sou mulher (Helena Ferreira)

Quando uso a boca vermelha
Meu salto agulha
E meu vestido preto.
Sou puta
Mordo no final do beijo
Não fico reprimindo desejo
E nem me escondo na aparência de menina.
Sou uma puta de primeira
Acordo às 6:30
Pego ônibus debaixo de chuva
Não dependo de salário de macho
E compro a pílula no final do mês.
Sou uma puta com P maiúsculo
Dispenso o compromisso
Opto pela independência
Não morro de amor
Acordo sozinha
Cresço sozinha
Vivo na minha
Bebo em um bar de esquina
Vomito no chão da cozinha.
Sou uma putinha
Passo a noite em seus braços
Mas não me prendo no laço
Que você quer me prender.
Sou puta
Você tem o meu corpo
Porque eu quis te dar
E quando essa noite acabar
Eu não vou te pertencer
E se de mim você falar
Eu não vou me importar
Porque um homem que não me faz gozar
Nunca terá meu endereço.
E não é gozo de buceta
É gozo de alma
É gozo de vida
É me fazer sentir amada
Valorizada
E merecida
E se de puta você me chamar
Eu vou agradecer.
Porque a puta aqui foi criada
Por uma puta brasileira
Que ralava pra sustentar os filhos
E sofria de racismo na feira
Foi espancada e desmerecida
E mesmo sofrida
Sorria o dia inteiro
Uma puta mulher ela foi
E puta também eu quero ser.
Porque ser mulher independente
Resolvida
Segura
Divertida
Colorida
E verdadeira
Assusta os homens
E os machos
Faz acontecer um alvoroço.
Onde já se viu mulher com voz?
Tem que ser prendada e educada
E se por acaso for “amada”
Tem direito de ser morta pelo parceiro
Cachorra adestrada pelo povo brasileiro
Sai pelada na revista
Excita
Dança
Bate uma
Cai de boca
Mama ele e os amigos
E depois vai ser encontrada num bueiro
Num beco
Estuprada
Porque tava de batom vermelho
Tava pedindo
Foi merecido
E se foi crime “passional”
Pobre do rapaz
Apaixonado estragou a própria vida.
Por isso que eu sou puta
Porque sou forte
Sou guerreira
Não sou reprimida
Nem calada
Sou feminista
Sou revoltada
Indignada
E sou rotulada assim
Como PUTA!
Então que eu seja puta
E não menos do que isso.

Outubro Rosa

Outubro Rosa

Fonte: Brasil247

Ato por Ágatha Félix – Hoje 27/09 às 18h

Ato por Ágatha Félix – Hoje 27/09 às 18h

NÃO À VIOLÊNCIA

Em São Paulo, movimento negro organiza ato contra assassinato de Ágatha Félix

Ágatha Vitória Sales Felix, de oito anos, morava no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro

Ágatha Vitória Sales Felix morreu após ser baleada por um policial militar da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Rio de Janeiro

Publicado por Nataly Simões, para Alma Preta 22/09/2019 14:01

Alma Preta – Na cidade de São Paulo, entidades do movimento negro planejam para a próxima sexta-feira, 27 de setembro, um ato em protesto ao assassinato de Ágatha Vitória Sales Felix, de 8 anos, no Complexo do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro.

A manifestação ocorre a partir das 18h, na Avenida Paulista, em frente ao vão livre do Masp. A data foi escolhida por ser o sétimo dia do assassinato da criança.

O objetivo é manifestar repúdio às políticas de segurança pública adotadas pelo governo de Wilson Witzel. Ágatha é a quinta criança morta em função da violência no Rio de Janeiro neste ano. Para o movimento, as ações realizadas pela polícia nas favelas corroboram com o genocídio da população negra e pobre.

De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, a polícia nunca matou tanto quanto em 2019. De janeiro a agosto, foram registrados 1.249 casos. A média é de cinco mortes por dia.

O assassinato

Ágatha Vitória Sales Felix morreu na noite de sexta-feira, 20 de setembro, após ser baleada quando estava dentro de uma kombi com o avô, Ailton Felix, na comunidade do Fazendinha. Ela chegou a ser levada para a UPA do Complexo do Alemão e transferida para o Hospital Getúlio Vargas, mas não resistiu aos ferimentos.

De acordo com moradores, o autor do disparo seria um policial militar da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). O PM teria suspeitado de um motociclista que passava no local e o tiro acertou a criança.

Em comunicado, a Coordenadoria da UPP afirmou que abrirá um procedimento apuratório para verificar todas as circunstâncias da ação. Na manhã deste sábado, 21 de setembro, a hashtag #ACulpaÉDoWitzel se tornou um dos assuntos mais comentados do Brasil no Twitter. Moradores do Complexo Alemão, também neste sábado, realizaram uma manifestação pacífica contra a morte da criança e para pedir paz na região.

Local: MASP, Avenida Paulista
Horário: 18h
Link para mais informações 
aqui

O DESABAFO DE AVÔ DE ÁGATHAM É LUTA

Negritude Ultrajada

Negritude Ultrajada

Bastou ser negra pra ser alvo.

Bastou ser pobre, ser do Rio, Cidade Maravilhosa!

Bastou circular nas comunidades cariocas dominadas pelas milícias.

Bastou estar num banco, sentada, tranquila, passeando por aí

nas ruas não tranquilas do complexo do alemão, das comunidades sitiadas.

Bastou um tiro certeiro bandido para pegar a pequena Agatha.

Fuzil do Estado! Arma assassina!

Wilson Cretino, defensor público das chacinas,

do genocídio, da limpeza racial!

Calou-se mais uma voz preta!

Extinguiu-se mais um pequeno anjo negro!

Indignou um país, um mundo, um universo.

Esconderam-se os culpados.

Violentaram mais uma vez um corpo negro, uma comunidade preta,

uma dignidade negra pobre, quase indefesa.

Profanaram templos negros, almas negras, identidades negras.

Feriram de morte a Humanidade.

Silenciaram um sorriso negro

e levaram a reboque nossa esperança de dias melhores.

Não é surpresa!

Não é por acaso!

Não é sem querer!

É muita malvadeza!

É muito descaso!

É muito por querer!

Silenciaram um anjo negro

e roubaram junto outras felicidades.

Deflagaram um projétil fatal.

Apertaram milhões de corações.

Vazaram milhões de lágrimas de olhos incrédulos.

Não haverá mais Agatha no futuro.

Não poderá mais estudar.

Não poderá mais sonhar.

Não poderá mais transbordar alegria.

Não pode mais sorrir para encher sua casa de euforia.

Não pode mais brincar, se sujar nem levar mais bronquinhas.

Não pode mais ecoar seu canto negro nas ondas aéreas

cheias de helicópteros e metralhadoras,

nas ruas onde trafegam tanques de guerra genocida.

Querida Agatha, perdoe-nos por não saber defender quando você precisou.

Anjo Negro, desculpe-nos por abandonar você indefesa

nesse mundo perdido dos morros cariocas.

Pode ser que a dor nos encha de coragem para lutar

e não permitir que mais anjos sejam dizimados.

Legião Urbana – Que País é esse?

No Amazonas, no Araguaia iá, iá
Na Baixada Fluminense
Mato Grosso, Minas Gerais
E no Nordeste tudo em paz
Na morte eu descanso
Mas o sangue anda solto
Manchando os papéis, documentos fiéis
Ao descanso do patrão

Terceiro mundo, se for
Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão

QUEM MANDOU MATAR MARIELLE FRANCO E ANDERSON?

QUEM MANDOU MATAR AGATHA VITÓRIA?

QUEM INVENTOU A FACADA FALSA ?

QUEM QUER VENDER BARATO O NOSSO PAÍS?

QUEM MANDOU BOTAR FOGO NA AMAZÔNIA?

QUE POVO É ESSE? QUE presidente É ESSE?