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Os dias da semana

Quando o clima esquenta…

Os céticos do clima já ganharam

Martin Wolf

A humanidade decidiu bocejar e deixar que os perigos reais e imediatos das mudanças climáticas se acumulem. Foi esse o argumento que apresentei em minha coluna da semana passada. Nada que apareceu nas respostas à coluna enfraqueceu minha conclusão. Quando muito, as reações a reforçaram.

A julgar pela inação do mundo, os céticos climáticos já ganharam. Esse fato torna ainda mais surpreendente o sentimento que eles manifestam de terem queixas não atendidas. Para o restante de nós, a interrogação que fica é se ainda há algo que possa ser feito, e, se sim, o que é.

Ao analisar esta questão, uma pessoa racional certamente deve reconhecer o grau de consenso existente entre os cientistas climáticos quanto à hipótese do aquecimento provocado pelo homem.

Uma análise dos resumos de 11.944 artigos científicos revistos por pares, publicados entre 1991 e 2011 e redigidos por 29.083 autores, conclui que 98,4% dos autores que adotaram uma posição confirmaram o aquecimento global provocado pelo homem (antropogênico), 1,2% o rejeitaram e 0,4% se disseram incertos. Análises alternativas dos dados renderam proporções semelhantes.

Uma resposta possível consiste em insistir que todos esses cientistas se equivocaram. Isso é concebível, é claro. Cientistas já se equivocaram no passado. Mas rejeitar este ramo da ciência unicamente porque suas conclusões são tão incômodas é irracional, embora seja compreensível.

Isto nos conduz a uma segunda linha de ataque: insistir que esses cientistas foram corrompidos pelo dinheiro e a fama. A este argumento eu respondo: será mesmo? É plausível que uma geração inteira de cientistas tenha inventado e defendido um logro evidente para obter ganhos materiais (modestos), ciente de que a fraude será descoberta? Continue lendo

A qualidade da informação

lebre tartaruga

“A melhor notícia não é a que se dá primeiro, mas a que se dá melhor” – Escritor colombiano Gabriel García Márquez

As redes sociais estão mudando o mundo no qual vivemos. As pessoas vivem querendo saber sobre tudo e sobre todos, mas o quanto tudo isso é importante?

Há uma ansiedade latente nesses novos cidadãos cibernéticos, enganados por um novo mundo cheio de possibilidades feito de um simulacro da realidade.

A web como uma biblioteca é cheia de informação, fazer uma busca por um conteúdo ou por um livro faz parte da mecânica, mas o nosso aprendizado é mais devagar e outra questão interessante é como medir o valor de um conhecimento se ele não será posto em prática? Podemos usar ele pra conversa de bar ou num exame escolar?

Na escola, os alunos aprendem primeiro as letras, depois as palavras, até usar tudo isso em construção de frases e por fim em textos. O conhecimento é obtido em etapas e muitas vezes por obrigação, pois nem sempre uma aula de matemática é mais divertida do que ir no cinema ou praticar um esporte.

A tecnologia é uma ferramenta igual a uma ciência estudada no colégio, precisamos passar por etapas até chegarmos perto de uma compreensão satisfatória para nós. Ela está cada vez mais presenta na nossa vida, é preciso compreendê-la, descobrir suas limitações e utilidades, pois nem sempre a velocidade é o que buscamos.